Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 12/05/2020
Segundo a teórica política alemã, Hannah Arendt, em seu livro “Eichmann em Jerusalém”, o mal pode ser uma obra de pessoas comuns, as quais agem de tal forma devido à ideologia dominante, sem questionar ou desafiar qualquer opinião. Nesse contexto, observa-se a analogia com a espetacularização da violência pela mídia brasileira, haja vista que não possuem, de fato, intenção puramente do mal ao expor a violência, mas sim, o objetivo de comover e obter audiência, embora resulte em prejuízos sociais. Logo, tornam-se imprescindíveis caminhos para combater essa problemática.
Em primeira análise, é importante discutir o porquê da maioria dos jornais e meios de comunicação espetacularizarem a violência e, exaustivamente, exiberem-a em maior frequência, comparada às informações de cunho positivo. A partir da História da Humanidade, evidencia-se o quão repleta de acontecimentos dramáticos e doloridos os indivíduos vivenciaram, embasando a tendência de aderir uma postura mais familiarizada com aquilo que é trágico. Além disso, por meio da literatura, mostra-se o maior impacto promovido pelos retratos ruins, despertando comoção e acionando diferentes partes do cérebro do público alvo.
Contemporaneamente, a mídia usa do impacto da violência para atrair espectadores e aumentar sua representatividade na vida deles, resultando em reportagens repletas de sons, luzes e imagens chocantes. Consequentemente, os indivíduos são influenciados a se importarem rapidamente com a notícia e, após alguns segundos, esquecerem a real gravidade, com outras informações violentas. Com isso, a população, aos poucos, perde a capacidade de se sensibilizar com as mazelas sociais, como pode ser comprovado no exemplo corriqueiro, em que muitas pessoas almoçam ouvindo notícias violentas e permanecem em suas funções, sem importar com a realidade verdadeiramente. Assim, busca-se, urgentemente, caminhos que revertam o quadro supracitado.
Portanto, a fim de minimizar os reflexos da espetacularização da violência, faz-se necessária a fiscalização das reportagens emitidas pela mídia, por meio da contratação de profissionais, com a atuação do governo, uma vez que haverá averiguação de informações, percebendo como essas são transmitidas ao público e se há intenções negativas, podendo serem refeitas. Dessa maneira, ter-se-á uma sociedade mais sensível e com pessoas com personalidade distante daquela analisada por Hannah Arendt.