Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 12/05/2020
Com o fim da Segunda Guerra Mundial, a nova ordem econômica globalizada trouxe muitos avanços na área tecnológica, principalmente no quesito da comunicação entre os povos. As barreiras físicas foram supridas, de uma forma que a informação estava disponível para todos. Assim, a sociedade passou a se tornar espectadora frenética de todo o tipo de acontecimento, alimentada por veículos de comunicação interessados cada vez mais em aumentar o seu público. Por conseguinte, por causa da ausência de regulamentação no modo como a mídia apresenta as suas notícias, aliada a crescente alienação da população brasileira, hoje tem-se um cenário de espetacularização excessiva no jornalismo brasileiro, o que é algo nocivo à sociedade.
Sob o ponto de vista da ausência de regulamentação no jornalismo nacional, é mister que programas conhecidos da TV brasileira, como o “Brasil Urgente” e o “Balanço Geral”, utilizam de artimanhas psicológicas para atrair o público, o que seria dificultado em caso de um regramento mais definido sobre como as notícias devem ser veiculadas. Nesse contexto, é ilustrado no filme “O Abutre”, estrelado por Jake Gyllenhall, um jovem jornalista que fabrica cenas de violência para poder vender aos telejornais locais. Desta mesma forma, os telejornais brasileiros produzem conteúdo violento para poder atrair o público e aumentar sua audiência, sem regras ou leis que contenham o conteúdo dos programas ou a forma como são exibidos.
Outrossim, a sociedade brasileira cada vez mais se encontra presa na alienação dos canais de comunicação. Para corroborar esta informação, foi apresentado, em um estudo do Instituto Datafolha, que programas que simulam um espetáculo aumentam a audiência em até 40% em relação àqueles que são mais verossímeis. Destarte, o filósofo existencialista Friedrich Nietzsche escreveu: “A arte é o que nos torna vivos”, o que demonstra a necessidade tênue do indivíduo em tornar sua vida parte de um show, para assim encontrar o seu significado existencial.
Portanto, é evidente que a espetacularização do jornalismo brasileiro, principalmente em relação a conteúdos violentos, é um problema para a sociedade. Nesse sentido, o CONAR, que é a entidade responsável pela regulamentação do conteúdo televisivo no país, deve criar regras, por meio da edição de decretos, para adequar o formato dos programas telejornalísticos, de maneira que suas notícias sejam veiculadas de maneira responsável. Desta forma, haverá uma diminuição de programas que visam manipular os telespectadores em busca de audiência, o que acarretará em uma sociedade menos alienada.