Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 02/05/2020

Segundo o filósofo Platão, praticar injustiças é pior que sofrê-las. Nesse sentido, a mídia brasileira exerce um papel de relevância na sociedade: contribuir com a construção do senso de justiça no meio social, considerando que é um âmbito de formação de opinião e debate público. Contudo, a espetacularização da violência por intermédio midiático fomenta o sentimento de “fazer justiça com as próprias mão” entre os telespectadores, os quais seguem uma linha de pensamento irreflexivo.

A princípio, o índice de criminalidade brasileiro é extremamente alto; ocupando a nona colocação entre os países mais violentos do mundo, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Com isso, a sociedade, com um sentimento de insegurança em relação às autoridades brasileiras, buscam formas de exercer justiça própria sem o alicerce da constituição, como linchamento em locais públicos e na web, dos quais são apresentados em alguns telejornais em formato de espetáculos.

Ademais, a mídia, ao trabalhar os fatos noticiados com pouca aprofundação, possibilita interpretações levianas. Nessa perspectiva, fotores, como condição de vida, nível de instrução educacional como motivações de crimes, não são considerados. Nessa lógica, um jovem da periferia, que não teve acesso a educação e convive em um âmbito violento, ao cometer crimes, como furtos e roubos por exemplo, são duramente julgados pela sociedade, mediante esses  jornais sensacionalistas.

Portanto, a fim de possibilitar um melhor compreensão de fatos por parte dos telespectadores da mídia e exercer o jornalismo comprometido com a veracidade e aprofundamento das informações, o Poder Executivo em parceria com o Legislativo deve atuar por meio de políticas públicas, como leis e decretos, que criminalizem práticas jornalísticas que incitem a violência. Além disso, os profissionais, como jornalistas e apresentadores, devem ter comprometimento com a veracidade das informações e de como trabalhá-las, possibilitando desenvolvimento crítico aos ouvintes.