Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 04/05/2020

O sociólogo Durkheim postulou o termo “anomia social” para se referir ao estado de caos na sociedade, o qual se aplica à questão da espetacularização da violência pela mídia brasileira. Nesse sentido, cabe salientar que os programas policiais são os principais canais de exposição de atos violentos. Ademais, vale ressaltar que a banalização dos atos agressivos  nas emissoras televisivas  fomenta a insensibilidade dos telespectadores às causas humanas. Por isso, é de suma importância que haja medidas para reverter essa situação.

Nesse contexto  de criminalidade, a revista Exame afirma que o Brasil é o segundo país mais violento da América do Sul. Desse modo, tal dado reitera impacto de programas que explanam casos criminosos, a exemplo do Brasil Urgente, que para angariar audiência enfatiza ações de violência, os delinquentes e as vítimas sem nenhum trato com sensibilidade e empatia. Com isso, por vezes, incitam a agressividade do público com frases de efeito do tipo “bandido bom é bandido morto”. Assim sendo, são necessárias mudanças para alterar a realidade.

Ainda nesse viés, é notório que o dano da exibição exacerbada da violência tem como consequência  condutas hostis por parte da população. Toma-se como exemplo o caso da mulher que foi justamente acusada de ser sequestradora, e por isso foi linchada por moradores da comunidade em que morava na cidade de São Paulo. Dessa maneira, tal situação enfatiza a problemática da espetacularização da violência, a qual tem como resultado a “justiça com as próprias mãos”. Logo, é preciso maior compaixão e traquejo ao noticiar atos ilícitos, pois a trivialidade e maneira como são representados os envolvidos na mídia é refletida em ações truculentas da sociedade.

Portanto, para resolver essa questão, faz-se necessário que o Estado atue, por meio do Ministério Público Federal (MPF) ao punir os programas de televisão que explorarem a violência de maneira insensível, e orienta-los a sensibilizar a população ao apresentar os casos das reportagens de forma que preserve a dignidade humana. Em adição, o Ministério da Saúde e MPF devem promover palestras em associações de bairros e mídia, dirigidas por psicólogos e policiais sobre empatia, averiguação dos fatos e Direitos Humanos. Para que assim, paulatinamente, conseguir-se-à reduzir a espetacularização da violência pela mídia brasileira.