Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 10/05/2020

A Constituição Brasileira, em seu artigo 5º, declara: Liberdade de imprensa como um direito social. Acerca disso, esse direito é imprescindível para a democratização da informação, no entanto as mídias brasileiras tem usado desse poder para o exercício da  espetacularização da violência. Sendo que, esse comportamento dos meios midiáticos, além de desviar o foco do real papel da imprensa, também fomenta na banalização da violência.

Em primeiro lugar, é relevante ressaltar o termo  Industria Cultural, no qual  uma de suas características é o uso da cultura pela mídia para a obtenção de lucro. Nesse contexto, infelizmente, de forma análoga, os meios de comunicação tem divulgado  fatos de violência de modo sensacionalista e massificado com intuito de gerar audiência e, posteriormente, obter ganho de lucro. Dessa maneira, como consequência desse comportamento adotado, a imprensa deixa de exercer seu papel principal de expor conteúdos educativos e denunciar mazelas sociais, por exemplo, colaborando para a perda de indivíduos com senso crítico social.

Em segundo lugar, o sociólogo Guy Debord, em seu livro “Sociedade do Espetáculo”, discute sobre a espetacularização da imagem e sua superexposição enaltecida e praticada pelos meios midiáticos. Nesse viés, os meios  de comunicação tem  divulgado excessivamente cenários de  extrema barbárie tratando as imagens de fatos de violência como um espetáculo de crueldade a ser assistido diariamente pelos espectadores. Desse modo, lamentavelmente, o consumo constante de cenas agressivas , sem duvidas, na construção de cidadãos muitas vezes apáticos e banalizadores em relação ao conteúdo contemplado.

Portanto, é irrefutável a toxidade da espetacularização da violência pela mídia. Por isso, o Ministério da Educação, por meio de verbas governamentais, deve contratar psicólogos, com o objetivo de realizar palestras nas escolas, aberta a comunidade, sobre os malefícios do consumo diário de notícias barbaras, a fim de formar cidadãos conscientes sobre  a nocividade de informações violentas para a saúde emocional.