Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 08/05/2020

O documentário “Quem matou Eloá?” aborda o sequestro e assassinato de uma adolescente de 15 anos, vítima do feminicídio. Esse foi um dos casos de violência que mais chocou o Brasil, graças a espetacularização feita pela mídia, que estava em busca de audiência e lucro as custas da situação enfrentada pela jovem. Fora do campo audiovisual, é comum a ocorrência da espetacularização da violência pelos meios de comunicação em massa, gerando a banalização desses episódios e, até mesmo, o estimulo a esses atos.

Em primeira análise, o jornalismo é movido, na contemporaneidade, pelo imediatismo. Para fornecer notícias de primeira mão e manter a concorrência com outros fornecedores de atualidades, muitos jornais liberam informações de forma rápida, minutos após o acontecimento. Esse ato mostra como a mídia depende da audiência e faz de tudo para alcançá-la - até mesmo a banalização de episódios de violência. Um exemplo foi o “Cidade alerta”, em que a produção do programa não preocupou-se com a saúde mental de uma mãe e contou, ao vivo, que sua filha havia sido vítima de um homicídio.

Ademais, segundo algumas pesquisas no campo de psicologia, o alto consumo de relatos voltados a essa vertente pode influenciar indivíduos a serem mais violentos e, consequentemente, ter o desejo de fazer justiça com as próprias mãos, visto que testemunham essas situações com frequência, como resultado da ineficiência do Estado em manter a ordem pública. Tal cenário é ainda mais penoso quando são espalhadas notícias falsas sobre terceiros ou quando são expostas identidades de supostos criminosos, como foi o caso de Fabiane, linchada em 2014, pois cidadãos confundiram-a com uma mulher que maltratou um bebê.

Tendo em vista o que foi discutido, são necessárias medidas vindas do Governo em prol da sociedade brasileira. Os poderes Executivo e Judiciário devem garantir a aplicação e eficiência de leis voltadas para o combate à violência, cumprindo o papel do Estado de proteger os cidadãos de qualquer tipo de injuria. Além disso, o Ministério da educação deve realizar palestras em campos educacionais - escolas e universidades, alertando o fato de que fazer justiça com as próprias mãos é contra a Constituição e os Direitos Humanos, causando o derramamento de mais sangue e podendo gerar situações de injustiça, como o linchamento de Fabiane.