Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 05/05/2020
A política do pão e circo,característica da Roma antiga,consistia em ofertar lutas entre gladiadores,em prol da pacificação das massas,a qual beneficiara as lideranças.No Brasil hodierno,embora por meios opostos -por pavor e medo,e não por divertimento-,a espetacularização da violência pela mídia permanece em benefício às grandes lideranças,em destaque as econômicas e midiáticas.Com efeito,quanto às consequências desse cenário,urgem de análise a dessensibilização da sociedade em relação à violência e a tentativa de obtenção da segurança através de vias mercadológicas.
Primeiramente,é destacável a óptica relativamente naturalizada,em maior parte da sociedade,quanto a violência espetacularizada nos meios midiáticos.Segundo Adorno e Horkheimer,pensadores da escola de Frankfurt,tudo é passivo de ser transformado em produto mercantilizável na contemporaneidade,inclusive a violência exposta na mídia.Diante disso,diariamente,a população vê essa mercadoria sob roupagem de filmes,novelas e ,principalmente,noticiários,a qual é consumida e vista de forma natural e cotidiana como outros produtos cullturais,levando a uma ainda alta incidência criminal no país e a um grande efeito contágio ,à medida que a gravidade da situação é banalizada.
Ademais,ao provocar horror em larga escala,há o crescimento das indústrias de segurança-voltadas à,por exemplo,câmeras,armas e cercas-,o que demonstra a faceta econômica da mercantilização da violência pelas mídias brasileiras.Para o sociólogo Karl Marx,a superestrutura-a ideologia e a moral- sustenta a infraestrutura-a economia.Ou seja,essa conjuntura implantada socialmente pela mídia,de perigo iminente,estimula o pânico e adoção e aquisição de medidas mais rigorosas,como a adesão à condomínios fechados,muros,armas e cercas.Isso remonta à insegurança do contexto medieval europeu do século XV e demonstra,portanto, grande retrocesso quanto à evolução humana ,e leva à alta lucratividade das indústrias de segurança,alimentada pela crescente necessidade de proteção.
Em suma,diante dessa realidade,é urgente mobilizar forças para mitigar as consequências decorrentes desse contexto.Assim,é primordial que o Poder Executivo promova maior regulação à imprensa,por meio da criação de órgãos específicos-como já existe com as propapandas publicitárias,reguladas pela CONAR-,criando regras quanto à exposição da violência na mídia,como reduzir o detalhamento minucioso dos crimes.Isso deverá ser realizado com o fito de se evitar um efeito contágio e ,dessa maneira,colaborar para reduzir o índice de violência no Brasil.Desse modo,diferentemente do contexto romano,o cidadão será sobreposto aos interesses das lideranças,sejam midiáticas ou econômicas,em tal contexto de grande espetacularização da violência pela mídia brasileira.