Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 08/05/2020
No livro “Anjos e demônios”, de Dan Brown, é retratado a influência que a mídia exerce sobre o cotidiano, que em meio a uma situação de terrorismo no Vaticano, a busca por audiência continuava sendo preponderante. Inclusive, os terrorista proferiam constantemente a seguinte frase: “A mídia é o braço direito da anarquia” e ambos, formavam uma coalisão. Fora da ficção, é possível inferir que tal contexto aplica-se diretamente à realidade, na qual, a forma com que as notícias são propagadas estimulam o imediatismo por tragédias em relação a mídia e consequentemente acarreta na banalização da vida. Nesse sentido, é necessário que hajam mudanças para apaziguar este impasse. Em primeiro lugar, deve-se salientar que a população se sente atraída por tragédias, geralmente vinculada ao sentimento de comoção ou curiosidade, e a mídia se aproveita dessa situação para aumentar sua audiência. Segundo o escritor George Orwell “A massa mantém a marca, a marca mantém a mídia e a mídia controla a massa”. Nesse contexto, é possível compreender que a mídia “espetaculariza” essas ocorrências visando o engajamento, porém, a forma como estes fatos são retratados acabam influenciando negativamente a população, que ficam condicionados a conviver com tais fatos e muitas vezes ocorre a “naturalização” destes, incluindo que a veracidade dessas manchetes é de cunho duvidável e tendencioso. Assim, é fundamental que haja uma mudança de postura por parte da mídia, que deve acima de tudo, comprometer-se com a verdade.
Por conseguinte, o hábito de acompanhar tragédias diariamente propagadas pelos meios de comunicação acaba tornando esses episódios em triviais. No episódio “White Bear” da série televisiva Black Mirror é reproduzido uma realidade distópica em que as pessoas foram afetadas pela tecnologia e tornaram-se “repórteres” alienados, filmando tudo a sua volta, enquanto os que não foram afetados são chamados de caçadores e estes assassinam outros não afetados para gerar entretenimento para aqueles que estão com câmeras nas mãos. Por esse ângulo, é perceptível que estes padrões de acontecimento se enraizaram na mente da população e tal conjuntura acaba implicando em um processo de alienação, em que a mídia lucra em detrimento da saúde mental dos cidadãos. Nessa perspectiva, é vital que a população se liberte destas armadilhas que são espalhadas pela mídia e busquem a autenticidade dos fatos, para que não haja a formação do alheamento.
Portanto, é mister que medidas sejam tomadas para evitar a espetacularização da violência pela mídia. O Estado deve fiscalizar as notícias propagadas na mídia por meio da contratação de especialistas em Tecnologia da Informação que possam estar supervisionar o rigor destas para que não se propaguem notícias distorcidas e devem sancionar estas emissoras.