Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 29/05/2020
Na franquia ‘‘Jogos vorazes’’, é mostrada uma sociedade pós-apocalíptica na qual há um grande torneio em que o entretenimento se baseia no sofrimento dos participantes. Todavia, não é somente na ficção que a espetacularização da violência ocorre, dado que, segundo o site jus.com, 70% dos seus entrevistados já alegaram ter visto ao menos uma vez, um programa que usava de crimes violentes para atrair a atenção dos telespectadores. Ademais, cabe debater quais são as causas e consequências da permanência dessa prática, e que medidas devem ser tomadas para coibir esse mazela.
De início, deve-se ressaltar que, de acordo com o sociólogo Theodor Adorno, a comercialização da cultura e do entretenimento acabou por desvirtuar o papel social da mídia. À vista disso, esse pressuposto pode ser comprovado ao se observar a disseminação dos ‘‘clickbait’’ (supostas notícias que apresentam um conteúdo exagerado, normalmente mencionando sobre ações violentas e informações trágicas sobre famosos e que em sua maioria são falsas ou exageradas). Dessarte, mesmo que se tratem de informações que desinformem e que fazem com que dados sobre crimes brutais sejam vistos como ações corriqueiras, essas mensagens cumprem com sua tarefa, que nada mais é do que conseguir ‘‘views’’/lucro.
Em segundo lugar, vale destacar que, para o filósofo Émile Durkheim, toda ação ou mensagem que é repassada com muita frequência acaba por se normatizar. Logo, a exibição desnecessária da violência por parte de jornais e outros meios de comunicação traz como consequência uma aceitação passível frente a mais atrocidades desse gênero. Destarte, não somente a estimular que mais pessoas venham a cometer esse tipo de crime, mas também a contrariar a Constituição Brasileira, visto que, perante nossa constituição qualquer crime é inaceitável principalmente aqueles de viés violentos.
Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar esse problemática, Para tanto, cabe a União, criar medidas que patrocinem meios midiáticos que façam um jornalismo sem o uso da espetacularização da violência e que ao mesmo tempo retire o apoio financeiro dos que usarem dessa prática. Isso pode ser feito por meio de leis que beneficiem os meios de comunicação que não utilizem da hostilidade criminal como atrativo para sua programação. Dessa maneira, a reduzir a disseminação do informações falsas, evitar que a crimes violentos se normatizem e fazer com que a constituição seja devidamente respeitada. Assim a evitar que o sofrimento alheio e que noticias vinculadas a esse cunho sirvam como entretenimento, e com isso evitar que a realidade da obra susodita se repita em nossa sociedade.