Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 13/05/2020

No período da decadência da Roma Antiga utilizava-se da política de “Pão e circo” como meio de distrair a população da conjuntura em que viviam. Nesse sentido, o mecanismo mais famoso era o chamado Coliseu, que proporcionava um verdadeiro espetáculo de violência para o público. De modo análogo ao contexto atual brasileiro, a mídia propaga a violência de forma exacerbada com intenção de provocar sensações no público. Com isso, ocorre a rápida dissolução das situações espetacularizadas e por fim, a banalização da violência em âmbito nacional.

Nesse contexto, de acordo com o filósofo Pierre Lévy em seu conceito de Cibercultura, os indivíduos participam de uma sociedade virtual onde ocorre a ampla difusão de notícias de forma instantânea. Por conseguinte, é evidente que existe uma rápida dissolução  de informações no espaço cibernético, o que contribui para a extrema propagação de conteúdos sensacionalistas, isso com a finalidade de obter um grande número de espectadores e causar-lhes sensações , assim como ocorria nos espetáculos da política de “Pão e circo” na Roma Antiga.

Ademais, o documentário brasiliense “Quem matou Eloá” efetua uma análise de como a mídia interferiu no desfecho do sequestro da jovem brasileira, tendo em vista que a cobertura jornalística da época ultrapassou os limites de exibição da operação de resgate para conseguir audiência. Em consequência disso, houve uma romantização do caso em que as redes de comunicação midiática procuravam amenizar a seriedade do acontecimento, pondo em foco apenas a exposição completa do desencadear do sequestro de modo a tratar de forma banal e tornar um espetáculo uma circunstância violenta como a mesma. Logo, percebe-se a amplitude dessa ação, tendo em vista que tais notícias são exibidas em âmbito nacional e levam consigo a mensagem de banalização de atos violentos.

Portanto, torna-se fulcral a dissolução dessa conjuntura de espetacularizar a violência por meios midiáticos. Para que isso ocorra, é necessário que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) - responsável por elaborar e revisar normas das novas tecnologias e suas aplicações no Brasil -, em parceria com Organizações não Governamentais anti-violência (ONG´s), promova um projeto de reeducação jornalística no âmbito midiático. Isso por meio da elaboração de novas diretrizes que vão de de encontro com as exibições e propagações de conteúdos que abordam a violência de modo sensacionalista. Tal medida deve ser elaborada com a finalidade de reduzir casos de espetacularização e banalização da violência por meio da mídia e por fim, evitar casos como o da jovem Eloá.