Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 25/05/2020

No documentário, “Quem matou Eloá”, é mostrado como a mídia tem o costume de espetacularizar notícias e informações, transformando-as em capítulos de novelas e usando diálogos sensacionalistas com o objetivo de atrair o público e os telespectadores. Porém, tal método usado pela imprensa brasileira, pode ser prejudicial e trazer consequências nocivas à população, visto que, estimula a violência e banaliza a vida. Portanto, algo deve ser feito para frear os efeitos da espetacularização realizada pelos grandes veículos de comunicação do Brasil.

Primeiramente, deve-se entender que o discurso sensacionalista usado pela mídia ao abordar fatos e notícias, foge do dever básico da imprensa, que é, apenas, informar a população. Ou seja, quando os noticiários espetacularizam e tornam a informação fictícia e emotiva, eles extrapolam e descumprem o dever cívico deles de comunicação social. Contudo, há um motivo para tal desalinhamento, os meios de comunicação usam espetacularização como forma de alcançar mais audiência e atrair o público, ou seja, para lucrarem.

Porém, tais atitudes, adotadas pela mídia, podem trazer consequências indesejadas, como multiplicação da violência e banalização da vida. Desse modo, quando os noticiários destacam e enaltecem a violência eles acabam por potencializá-la e difundi-la, de forma a trivializar a vida. Como foi no caso do sequestro de Eloá, onde os jornalistas, ao usarem discursos sensacionalistas, atrairam cada vez mais telespectadores, que intrigados com a “novela” exibida pelos noticiários, demandaram cada vez mais detalhes, que por sua vez, levaram a mídia a espetacularizar a violência e pessoas se perguntarem o que realmente matou a menina, o sequestrador ou a banalização da vida realizada pelos noticiários.

Portanto, com o objetivo de frear as consequências da espetacularização da violência pelos meios de comunicação, o Governo Federal junto do Ministério da Comunicação devem, por meio da criação de um novo canal televisivo público, que não tenha como objetivo ganhar lucro, fornecer notícias reais e não sensacionalistas, de forma que, a população tenha mais opções de se informar. O canal deve ser aberto, para que todos os brasileiros tenham acesso gratuitamente. Além disso, as pessoas devem se conscientizar do impacto de alimentar a mídia sensacionalista e parar de assistir noticiários que adotam tal discurso. Dessa maneira, os meios de comunicação serão pressionados a aplicar outros recursos para ganhar audiência e o método da espetacularização, que aconteceu no sequestro de Eloá, não será mais empregado pela mídia.