Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 01/06/2020

A violência contra a informação

O coliseu romano, um dos mais famosos monumentos do mundo antigo, era utilizado, em seu tempo em atividade, como sede de eventos de entretenimento que transformavam mortes e violência em espetáculos para o deleite do povo de Roma. Apesar de muitos séculos decorridos desde a queda do império Romano, a espetacularização da violência ainda é,hodiernamente, feita por parte da mídia. Nesse contexto, faz-se necessário analisar e propor soluções para as consequências dessa prática que converte morte em espetáculo.

É importante perceber que transformar a cobertura midiática de casos violentos em eventos “espetáculóides” propicia a banalização da violência e da vida humana. Isso se dá pois ao espetacularizar esses ocorridos os veículos transformam as histórias das vítimas em enredo e os indivíduos em meros personagens, distanciando, assim, a audiência da parte sobre quem se fala, deixando a ultima menos passível de empatia. Exemplos disso são os jornais sensacionalistas que comemoram em seus programas as mortes de indivíduos considerados marginais e a ausência de inguinação que é causada nos espectadores.

Vale, também, ressaltar que a postura da mídia em relação à violência causa, ademais, a marginalização de determinadas camadas da sociedade. Como é retratado pelo cantor Djonga, que traz em suas músicas relatos da vida como uma pessoa negra e periférica no Brasil: “Fiz falar que eu era ladrão na sua TV[…] e não foi no programa do Datena, foi em horário nobre, pra burguesia ver”, trecho que revela como as camadas mais periféricas da sociedade só encontram representatividade na televisão em programas conhecidos por espetacularizar a violência, como o do Datena.

É possível, dessa forma, depreender que o ato de espetacularizar a violência feito por parte da mídia traz consequências negativas à sociedade, tais como banalizar a violência e marginalizar determinadas camadas sociais. Por isso, cabe à mídia conscientizar-se dos efeitos de suas práticas, através do dialogo com as partes da população que alerta esses riscos, visando ter a mídia como uma fonte de informações e não de alienação. Caso contrário, a população continuará com conhecimento de sobra acerca da violência, mas com informações escassas sobre o que está sendo feito para evitá-la.