Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 30/05/2020

Em certo momento, na Roma antiga, havia o hábito, por parte dos imperadores, de financiar combates até à morte no famoso Coliseu. Como finalidade disso, o povo se entretinha e esquecia dos problemas fora do espetáculo. Atualmente, a violência ainda é sedutora e, por isso, é usada sem escrúpulos pela mídia brasileira. Assim, cria-se no povo aversão às mensagens que são, eventualmente, importantes. Levando-o, portanto, à alienação.

À luz disso, pode-se afirmar que a espetacularização da violência, nos jornais e programas de televisão, é sinal da incompetência dos comunicadores responsáveis, pois impede que mensagens de outros assuntos diversos, como política e saúde, sejam transmitidas com clareza, na verdade, o que ocorre são matérias inauditas, perdidas num mar de violência. Nesse sentido, a máxima de Maquiavel: “Os fins justificam os meios”, gera alienação ao povo, caso interpretada de maneira errônea pelos editores e diretores. Pois, quando a intenção é fazer de tudo para por holofotes em certos eventos, como assassinatos ou latrocínios, a consequência, na contramão disso, é aversão aos mesmos, isto é, tornam-se ainda mais ignorados. Pois, violência traz desconforto, e devemos sim evitar situações que nos fazem mal.

Ademais, um paralelo ainda mais evidente pode ser traçado entre a Política do Pão e Circo romana e a overdose de violência da mídia brasileira: alienação política. Curiosamente, enquanto, por um lado, o “Panem et circenses” puxava a atenção da população para a violência, por outro, a forma atual de alienamento “empurra”, antidemocraticamente, o povo para fora dos veículos de comunicação, que também divulgam política. Logo, tais ferramentas antidemocráticas resultam em indivíduos que se alienam intencionalmente, e com razão, pois a paz da ignorância, muitas vezes, pode ser extremamente conveniente e saudável.

Assim sendo, algumas consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira são, entre outras, a aversão do povo à noticias em geral, e auto-alienação dos mesmos, buscando tranquilidade. Cabe então, ao Ministério da Segurança, aliado ao Ministério da Educação, reformar a maneira como se lida com crime. Nesse momento, o foco deixará de ser punir criminosos, mas evitar que mais deles surjam, por meio do acesso à educação. Construindo, por exemplo, escolas públicas no coração de comunidades marginalizadas, para assim evitar preconceitos e dificuldades que os moradores dela têm para estudar.  Consequentemente, a criminalidade cairá no momento em que for dada oportunidade aos mais pobres estudarem, e assim a mídia terá menos motivos para notificar violência, tornando-a mais inclusiva e democrática.