Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 02/06/2020
Segundo o pensamento do filosófico Theodor Adorno, a mídia acaba nos passando uma maneira de agir e algumas maneira de ser, que vão configurar como um comportamento de massa. Esse panorama auxilia no pensamento de que a mídia tem uma grande influência no comportamento humano, onde a espetaculização da violência pela mídia brasileira acaba nos auxiliando para a banalização da violência.
Primeiramente, o principal malefício é o pré-julgamento midiático que fere a Declaração Universal dos Direitos Humanos e do Estado Democrático de Direito Brasileiro, onde diz que “Ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”.
Segundos pesquisas, a cobertura da mídia em decisões criminais midiáticos influenciam no trabalho dos juízes de direito, afetando a imparcialidade e o seu julgamento técnico. Sob esse âmbito, a população usufrui dessa vulnerabilidade, criando uma percepção de impunidade fazendo com que a população defenda leis mais rígidas e que muitas das vezes afetam o Direitos Humanos. Nesse viés, os mais prejudicados são as classes menos abastadas e os negros, que são os principais alvos e os mais vulneráveis a condenações injustas.
Logo, medidas públicas são necessárias para alterar esse cenário. É fundamental, portanto, que o Ministério Público Federal fiscalize os conteúdos exibidos em televisões, cabendo valer o preceito da constituição em relação ao Direito à Comunicações. Além disso, é preciso focar na conscientização de que mídia banalize menos e instrua mais, sem decidir por si o que as pessoas devem pensar e a forma como elas devem agir em relação ao que foi noticiado.