Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 03/06/2020

Desde o movimento intelectual que surgiu durante o século XVIII na Europa, o Iluminismo, que pregava a disseminação dos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, entende-se que uma sociedade só progride quando um se comove com o problema do outro. Entretanto, ao observar as consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira, percebe-se que esse ideal é contestado. Nesse contexto, deve-se analisar como a falta de profissionalismo e a alienação social colaboram para esse quadro.

Mormente, a precária formação de uma parcela significativa dos profissionais da área da comunicação é o principal fator responsável para a problemática. Tal fato ocorre porque não há, por parte dos profissionais, a preocupação em averiguar corretamente os acontecimentos narrados. Sob esse viés, de acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, em sua obra ’’ Amor Líquido ‘’, os indivíduos buscam não se envolver nas relações interpessoais que desenvolvem ao longo da vida. Assim, por consequência, a sociedade líquida atual é marcada pela falta de afeto entre os cidadãos. Logo, muitas notícias inverídicas são transmitidas para a população devido a ausência de empatia e a busca pelo imediatismo dos jornalistas, o que colabora para a formação de opinião errônea e a propagação de ódio nos meios midiáticos.

Outrossim, a alienação social é outro fator primordial para a temática. Essa situação se deve porque a população decide se calar diante de um problema que afeta um determinado grupo. Segundo o sociólogo Bourdieu, existem ’’ Violências Simbólicas’’, nas quais a classe dominante exclui e ao mesmo tempo silencia determinada distorção. Nesta perspectiva, consequentemente, a mídia ao disponibilizar conteúdos violentos, não só fere os familiares das vítimas, que já estão fragilizados, ao expor a brutalidade dos fatos, como também normaliza a violência entre os cidadãos que são bombardeados pelas imagens e vídeos nos canais de comunicação.

Dessa maneira, medidas são necessárias para resolver o impasse. Portanto, o Poder Judiciário, em parceria com o Poder Legislativo, deve julgar e fiscalizar o modo como os jornalistas estão transmitindo as informações para a população, a fim de impedir que as notícias falsas sejam passadas para os cidadãos, além criar um dispositivo, por meio de aplicativos, que exclua comentários violentos nas redes sociais brasileiras. Ademais, o Ministério da Comunicação, em parceria com os psicólogos, deve restringir os conteúdos divulgados nos canais de comunicação, com o viés de impedir que os familiares das vítimas sejam expostos, além de censurar, de fato, as fotos e vídeos que possuam qualquer tipo de violência física.