Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 03/06/2020
Um dos maiores prejuízos causados pela espetacularização da violência nos meios de comunicação do Brasil é o sensacionalismo, palavra que, segundo o dicionário Michaelis, trata sobre a divulgação de notícias exageradas, mal verificadas, bem como parciais. Tudo com a finalidade de aumentar a audiência ou, até mesmo, manipular as pessoas diante de assuntos de interesse público, como segurança, política ou educação. Por consequência, essas ações geram perdas notáveis ao interferir na independência, no entendimento e no posicionamento ideológico de cada um, principalmente aqueles que, naturalmente, já não têm fácil acesso à informações e aos estudos, como pessoas pertencentes às classes D e E, por exemplo.
Certamente, é possível afirmar que a partir da adoção de uma postura sensacionalista, ainda mais diante de assuntos surpreendentes ou desagradáveis, emissoras de televisão, rádios, meios impressos e sites, traem os conceitos básicos do jornalismo legítimo. Em outras palavras, o que for pensado e construído no caminho contrário ao da objetividade, da imparcialidade e do compromisso com a verdade desrespeita a apuração, construção e divulgação de notícias confiáveis, uma das missões mais importantes da imprensa.
Por isso, é importante ressaltar que conforme as pessoas são influenciadas por mídias tomadas pela espetacularização, elas têm maior tendência a não conseguirem enxergar os acontecimentos como eles, realmente, são e, assim, não conseguem formar opiniões, nem mesmo exercer plenamente seus papéis de cidadãs. Portanto, é preciso responsabilidade no momento da divulgação, especialmente, no tocante a assuntos polêmicos, como os que envolvem violência, visto que os efeitos negativos causados pelo exercício falho da comunicação podem ser irreversíveis.
Assim sendo, na tentativa de barrar o aumento das atividades inconsequentes dos veículos de informação que atuam em todo o país, cabe aos governantes em âmbito municipal, estadual e também federal trabalharem para o endurecimento da fiscalização, orientação e, até mesmo, da punição dos casos de espetáculos midiáticos mais graves, se for cabível diante das leis em vigor. Vale ainda buscar parcerias com associações, como a Associação Brasileira de Jornalistas (ABJ) e Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), o pode tornar o processo mais eficiente, pois à frente dessas organizações trabalham profissionais experientes e comprometidos com a realidade. Ao mesmo tempo, a sociedade precisa estar atenta ao que lê, ouve e vê, não disseminando informação, a não ser que tenha certeza sobre sua veracidade.