Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 04/06/2020

O programa jornalístico brasileiro Cidade Alerta, tem como narrativa principal a apresentação de casos policiais que têm seus desfechos acompanhados ao vivo pelos telespectadores. Tal programa, apresentou o caso de Marcela, uma jovem de 21 anos que estava desaparecida e o namorado da mesma, era o principal suspeito. Entretanto, o apresentador da atração, anunciou ao vivo, antes da conhecimento da mãe da vítima, que sua filha havia sido assassinada, o que causou um desmaio em TV aberta na mãe de Marcela. Nesse contexto, a fim de compreender a espetacularização da violência pela mídia brasileira, cabe analisar a responsabilidade midiática nas investigações e exposições dos casos, bem como as consequências dos mesmos.

Primordialmente, é válido pontuar que, casos policiais tem grande notoriedade nos programas jornalísticos brasileiro, o que leva os veículos de divulgação a mostrarem os crimes violentos de forma perpétua e minuciosa, tornando-os comuns. Tal exemplo disso, foi o caso de 2008, da jovem Eloá Pimentel que foi sequestrada e assassinada pelo então namorado Lindemberg Alves, nesse caso, uma apresentadora de TV conduziu uma entrevista com o sequestrador, onde a mesma se mostrava orgulhosa por entrevistá-lo, ignorando que o feito atrapalhava o trabalho da polícia - a entrevista ocupou blocos inteiros da programação - Assim, fica clara a falta de responsabilidade dos profissionais da área e a exposição excessiva de casos violentos que estão cada vez mais taxados como banais.

Por conseguinte, observa-se que a cultura da violência promovida pela mídia pode acarretar em grandes mudanças comportamentais nos indivíduos que consomem as informações, como falta de sensibilidade ao sofrimento alheio, normalização da violência, incitação a atos violentos e também indignação, sentimentos de perda, angústia e fobia social. Desse modo, os meios de comunicação deveriam diminuir a banalização da violência e aderir ao desafio de apresentar soluções para a criminalidade. Pois, consoante o filósofo francês Jean-Paul Sartre, a violência, seja qual for a maneira como ela se manifesta, é sempre uma derrota.

Portanto, é necessário que medidas sejam tomadas para amenizar a situação atual. Cabe ao Ministério da Comunicação, em conjunto com as redes de televisão, tornar a agenda dos meios de comunicação mais responsável, a fim de não espetacularizar as notícias que se relacionem à violência, para que assim, casos violentos não sejam banalizados. Urge ainda, que a mídia apoie as políticas públicas que visam à segurança nacional, com reportagens, matérias e entrevistas que estimulem o comportamento saudável dos cidadãos e despertem cada vez a compaixão para com o outro. Assim, a violência deixará de ser pauta da espetacularização midiática.