Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 04/06/2020
No filme “Jogos Vorazes”, 2 pessoas de cada um dos 12 distritos de Panem são escolhidas para lutar entre si pela sobrevivência e, no final, só uma pode sair com vida. Tudo isso é transmitido em grandes telões para toda a população, como se fosse um grande espetáculo de mortes sucessivas. Ao sair da ficção e adentrar na realidade, nota-se que, na sociedade brasileira, a exposição da violência pela mídia não se distingue muito da apresentada nos telões dos Jogos Vorazes, já que há uma imensa espetacularização dessa. Assim, é válido analisar a causa para entender o efeito dessa problemática.
A princípio, é válido entender que a principal motivação para a atual espetacularização midiática em torno da violência são as raízes históricas. Ao passo que conturbações político-sociais acontecem, é a arte que dá o poder de fuga da realidade e, desde sempre, seja por meio de peças teatrais ou de sons, um “espetáculo” era a forma de amenizar o inconformidade com o cenário real. Tal fato é comprovado com a política romana do “Pão e Circo”, a qual colocava pessoas num local chamado “Coliseu” e as deixavam para leões famintos devorarem. Tudo isso em meio a uma plateia ansiosa por sangue e violência, como fãs de um grande “show”, a qual era distraída do caos que acometia Roma. Dessa forma, fica claro que uma naturalização histórica da exposição da desordem de maneira deliberada influencia a mídia atual brasileira para uma espetacularização da violência.
Além disso, compreender a implicação majoritária, que é a formação de vítimas da exposição e banalização da crueldade, é essencial. Ao entender que, enquanto a mídia incita e normaliza a violência, pessoas morrem, já que, cada vez mais, a sociedade vê brutalidade como natural nos noticiários. Então, entre ajudar ao presenciar uma barbárie ou espetacularizá-la, o corpo social mediocrizou a empatia em prol da exposição da violência, sendo mais importante a difundir do que a conter, muitas vezes. Como foi o caso de Eloá, na qual a mídia brasileira acompanhou ao vivo o caso e se preocupava mais em ter informações, explicitado no pedido de mandar sua amiga Nayara de volta ao apartamento para mais matérias, do que na vida da garota, que acabou sendo assassinada. Dessa maneira, fica evidente que a espetacularização da violência pela mídia brasileira é nociva e fatal.
Sendo assim, é fulcral que tal problemática seja mitigada. Portanto, o Ministério da Educação, órgão com o poder de modificar a grade curricular da educação nacional, deve implementar a matéria educação social, que por meio de aulas semanais com sociólogos que apresentem documentários, filmes e resenhas de livros explicando quão prejudicial é a banalização da brutalidade, a fim de que o corpo social já não mais dê atenção a espetacularização da violência pela mídia brasileira e, sem público, a problemática seria atenuada. Desse jeito, o comparativo com Jogos Vorazes seria passado.