Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 07/06/2020

Cobertura de caixão

Ligar a televisão e ver um novo caso de violência nos jornais já é um ritual matutino para o brasileiro. Porém essa espetacularização da violência faz com que a mesma não tenha o impacto real. Assim banalizando as vidas afetadas e, em certos casos, atrapalhando a ação dos agentes do Estados.

No documentário ‘‘Quem matou Eloá?’’ é mostrado a irresponsabilidade da ação midiática em torno do acontecido, uma menina de 15 anos era mantida refém por um ex namorado. Porém na época certas emissoras trataram o caso como um seriado, com direito a edição e trilha sonora. Ademais o foco foi totalmente desviado de salvar Eloá para quem era o seu sequestrador. Chegando ao ponto de programas de fofoca ligarem para ele, o conferindo certo grau de celebridade qual ele se gabava, tirando assim todo sentimento de realidade do caso.

Além disso, a superexposição do caso, com cobertura 24 horas, informava na íntegra a ação policial ao carcereiro de Eloá. Dificultando a negociação ou captura do criminoso. Levando à um fim catastrófico: uma situação de refém que durou mais de 100 horas, e que foi finalizada por uma operação feita sob alegação de ‘‘alto nervosismo do infrator’’ que levou ao óbito da refém.

O caso Eloá foi apenas um dos muitos afetados por essa sede pelo furo jornalístico e deve ser tomado como exemplo. O mesmo expõe a necessidade do governo federal, junto da associação brasileira de imprensa, criar um órgão regulador que julgasse a caso a caso num conselho de ética, baseado num conjunto de regras pré estabelecidas. Dessa forma multar os infratores com a finalidade de inibir a reincidência do problema.