Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 08/06/2020

Em sua obra literária “Utopia”, o escritor inglês Thomas More, retrata uma sociedade perfeita, a qual caracteriza- se pela ausência de conflitos e problemas em seu corpo social. De forma antagônica, no hodierno cenário global, sobretudo no Brasil, observa- se o oposto do que o autor prega, sendo que a espetacularização da violência pela mídia apresenta barreiras que dificultam os planos de More. Esse impasse acarreta consequências como a banalização da vida e a prática da justiça com as próprias mãos. Destarte, torna- se evidente a discussão sobre esse tema com o intuito de resolver essa problemática.

A priori, é imperioso destacar que o panorama supracitado implica na banalização da vida, tendo em vista que, devido ao excesso de exposição de práticas violentas pela mídia, as pessoas entendem esse fato como algo do cotidiano e passam a considerá-lo algo normal. Nesse âmbito, tais fatos vão de encontro ao pensamento do filósofo Imannuel Kant, o qual prevê que o princípio da ética é agir de forma que determinada ação possa ser uma prática universal. Dessa maneira, se todos os cidadãos considerarem atos violentos como algo rotineiro, a sociedade entrará em profundo desequilíbrio.

Outrossim, é imperativo pontuar que, ao polemizar a violência, a mídia brasileira incita, ainda, práticas como a justiça com as próprias mãos. Uma vez que, a baixa resolução de crimes e a lentidão da justiça criam uma sensação de impunidade. Dessa forma, essas ideias contradizem a Constituição Federal de 1988, a qual garante a segurança como um direito individual. Portanto, precisa- se de uma intervenção para que essa questão seja modificada com o fito de alcançar a isonomia esperada pela sociedade.

Depreende- se, em suma, a necessidade de medidas que atenuem as consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira. Para tanto, urge que as escolas, em parceria com as famílias, insiram discussões sobre esse tema tanto no ambiente doméstico quanto no estudantil, por intermédio de palestras com a participação de psicólogos e especialistas, a fim de desenvolver desde a infância, uma mentalidade crítica em relação às imposições da mídia. Soma- se a isso, o papel do Executivo, por meio de investimentos no Ministério da Comunicação, aprimore leis já existentes que punam de forma eficiente o sensacionalismo e o excesso de polêmica no setor midiático, com o objetivo de evitar a incitação de mais violência e práticas como a justiça com as próprias mãos. Somente assim, a sociedade perfeita de More deixará de ser uma utopia.