Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 09/06/2020
Durante o período ditatorial do governo Vargas no Brasil, a instituição chamada de “Departamento de Imprensa e Propaganda” tinha como objetivo o controle político sobre a propaganda e a imprensa do país. Tal procedimento gerou disseminação de informações imprecisas, uma vez que possuía interesse político. Apesar de se tratar de um episódio de décadas atrás, a veiculação de notícias errôneas permanece ativa nos meios de comunicação, cuja principal causa e característica provém da espetacularização midiática, tendo como consequência a banalização de temas vinculados à violência, por exemplo. Sendo assim, alternativas que suprimam tais questões devem ser postas em vigor a fim de serem combatidas.
Em primeira análise, é relevante notar a influência da mídia sobre a formação do julgamento dos seus espectadores. Adorno, sociólogo que estudou a indústria cultural, defende que os meios de comunicação cria certos estereótipos que tiram a liberdade de pensamento dos indivíduos, forçando imagens, muitas vezes equivocadas, em suas mentes. Esse processo é responsável por trivializar o modo de pensar das pessoas, resultando na normalização de assuntos lastimáveis.
Outrossim, é válido ressaltar que o ser humano é fruto das experiências adquiridas do meio em que vive. Segundo a tábula rasa de John Locke, todo indivíduo nasce como uma folha em branco, sem conhecimento, e o adquire por meio de seu processo de formação. Sendo assim, ao ser exposto a determinadas imagens, como no caso de conteúdos jornalísticos voltados à selvageria, o homem assimila essa ideia tornando-a natural em sua mente.
Dado o exposto, é de suma importância o papel do Estado e de empresas privadas na manutenção da problemática apresentada. Cabe ao Congresso Nacional, através de Comissões, realizar audiências públicas com os diversos setores da sociedade, tendo como objetivo discutir com especialistas sobre possíveis medidas que possam reduzir a influência de representações de violência veiculadas pela mídia. Em conjunto com os próprios agentes midiáticos, torna-se fundamental a realização de políticas público-privadas que visem a apuração rigorosa dos conteúdos transmitidos ao público, ambicionando suprimir a banalização da violência em todos suas formas de manifestação. Desse modo, novas demonstrações dessa lamentável realidade serão menos presenciadas no cotidiano da população.