Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 10/06/2020

O Código Internacional de Ética Jornalística, aprovado em 1978, assegura o acesso a uma informação verídica por meio de uma realidade objetiva e de exposição responsável dos fatos. Entretanto, hoje, a imprensa da espetacularização atrai muito mais espectadores. Nesse contexto, cabe problematizar os recursos e estratégias utilizadas por tal jornalismo e os seus impactos na sociedade.       Diante disso, o conceito de “Indústria Cultural”, ainda que tenha sido criado por Adorno e Horkheimer na primeira metade do século passado, explica a atuação dos meios de comunicação da mídia, pois destaca a dimensão econômica da comunicação e sua capacidade de interferir na autonomia crítica da população. Sob tal ótica, momentos de crise, como o vivido atualmente com a pandemia do Covid-19, servem como estratégia para manter uma população ávida por informações. Surgem, então, as mais mirabolantes publicações para manter todos ligados em jornais, escritos e midiáticos, abarcando um maior número de patrocinadores. Assim, apropriam-se do medo e da angústia das pessoas, como forma de atrair cada vez mais audiência.

Consequentemente, leitores e telespectadores têm dificuldade em filtrar as informações que chegam até eles, ou seja, as notícias propagadas pelos meios de comunicação acabam sendo tomadas como verdades absolutas. Desse modo, o jornalismo tem sido adaptado ao espetáculo por meio da seleção de conteúdo, com poder de construção de uma realidade, de dominação social, formando pessoas incapazes de contestar. Segundo o Ministro da Propaganda Nazista, o bombardeamento de informações é o jeito mais fácil de induzir as pessoas: “uma mentira contada mil vezes se torna verdade", isto é, há a construção de uma sociedade alienada e refém da mídia.

Desse modo, um grande desafio no Brasil, atualmente, é promover uma comunicação dos veículos de massa capaz de combater o sensacionalismo e a espetacularização de notícias. Para tanto, o governo, por intermédio do Ministério da Justiça, deve investigar a origem de notícias falsas e sensacionalistas que espalham medo e, também, punindo veículos propagadores por meio de multas e pagamento de indenizações, a fim de reduzir a circulação de notícias não verídicas. Ademais, as mídias de comunicação são responsáveis por respeitar o juramento feito ao Código de Ética Jornalística, garantindo a informação de fatos imparciais e objetivos, visando servir a população de forma autêntica e honesta. Assim, a sociedade começará a ser capaz de tirar suas próprias conclusões diante das informações acessadas por ela.