Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 11/06/2020
Manchete: É enterrado hoje, a ética dos Jornais Policiais
A película “O Abutre” de 2014, narra a história de Louis Bloom, um câmera freelancer - trabalhador autônomo, que vende imagens de acidentes a grande emissoras de televisão. Devido a sua ganância e necessidade de reconhecimento, Bloom decide provocar acidentes graves para possa ser o primeiro a obter as imagens e vendê-las pelo maior valor que conseguir. Esta história discute a espetaculização da violência, os limites da ética Jornalistica e as múltiplas consequências geradas sendo este, um problema presente na atual grade de programação televisiva brasileira.
Segundo pesquisa,apresentada pela ABERT - Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, o número de programas jornalísticos na TV brasileira aumentou 37% se comparado aos últimos dois anos. A audiência de programas como Cidade Alerta da Rede Record e Brasil Urgente da Rede Bandeirantes, cresce 2% ao mês. A maioria destes programas são de cunho sensacionalista, ou seja, intencionalmente exagerados, exibidores de imagens chocantes que vangloriam a violência direta ou indiretamente.
Entretanto, a televisão aberta tem sofrido uma queda da sua audiência. O publico tem migrado cada vez mais para outras formas de entretenimento e informação, como internet, redes sociais, tv fechada e Segundo Pesquisa da Ancine - Agencia Nacional do Cinema, a audiência nas emissoras de tv encolheu de 67% para 41% em 2020. o principal motivo de rejeição por parte do público com relação a televisão aberta esta na existência de programas sensacionalistas e violentos.
A problemática do exibicionismo exacerbado da violência na televisão brasileira mostra os dois lados da moeda de interesses. Seja o interesse pela audiência a qualquer custo, seja pelo interesse financeiro gerado por esse tipo de conteúdo destinado as emissoras e grandes corporação. Entretanto, um terceiro lado não pode ser esquecido. A vitima, o dono do imóvel perdido, os familiares e conhecidos. O Aumento da violência e a sua valorização televisiva gera nessas pessoas afetadas, insegurança, falta de confiança no poder policial e no trabalho jornalístico ético.
Diante desse cenário é mister que governo brasileiro por meio da ABI - Associação Brasileira de Imprensa estabeleça um programa fiscalizador da qualidade jornalística de todas as esferas de imprensa (televisiva, impressa e digital), de forma respeitosa e ética, sem ferir direitos à liberdade de imprensa. A fiscalização deve realizada por meio de um índice a qualidade, pensado por especialistas, dos programas produzidos. As notas devem ser divulgadas para o grande publico regularmente. Isto provocará uma mudança na imprensa e em seus padrões de produção.