Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 12/06/2020
No livro “Sociedade do Espetáculo”, Guy Debord disserta sobre a espetacularização das sociedades contemporâneas. Para o pensador francês, as grandes questões sociais do hodierno são transformadas em imagens a serem assistidas e a população geral, em plateia passiva. Tal viés explica a configuração da violência brasileira: espetacularizada. Nesse contexto, por causas como a criação de narrativas tendenciosas, discursos de vingança são espalhados e aplicados, em detrimento da justiça.
Em primeira instância, dentre os causadores da problemática, está a falta de imparcialidade das fontes de informação nas mídias atuais. As notícias, que são classificadas como gênero jornalístico cuja função é a referencial e que, por isso, devem ser objetivas e equânimes, não o são atualmente. No panorama atual, em que o imediatismo e temas tendenciosos são mais atrativos, textos e vídeos, supostamente informativos, têm criado e compartilhado estórias, ao invés de apurar corretamente as informações e apresentar fatos.
Como consequência dessas narrativas, predominantemente das de vilanização, parte da população é levada de plateia passiva a ator, por meio da “justiça com as próprias mãos”. Um exemplo dessa realidade foi o linchamento da dona de casa Fabiane de Jesus, que sofreu o espancamento dos vizinhos por ser suspeita de sequestro; a mulher era inocente, mas foi morta por justiceiros. Além do tom cruel que tal tomada de “justiça” nas próprias mãos adquire, ela não se configura como uma justiça real, já que essa seria o julgamento em uma corte especializada. Quando realidades assim se repetem, diversas pessoas, não inocentes e inocentes, são privadas do seu direito a uma real justiça e são enfrentadas com vingança irracional.
Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Faz-se necessário que o governo instrua jornais televisivos e a população no geral quanto à necessidade de se haver imparcialidade nas discussões e de se aplicar uma justiça formal. A medida deve ser realizada por meio de comerciais de TV, já que esses circulam no mesmo veículo utilizado pela maior parte das narrativas danosas. Espera-se, com essa intervenção, frear a espetacularização da violência pela mídia brasileira e a ratificação, pela população, da vingança por ela pregada.