Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 19/06/2020

Ao longo da história humana, a violência foi retratada igualmente à um espetáculo, como na Roma Antiga em que as lutas entre gladiadores no Coliseu seriam para entretenimento da sociedade da época. De maneira similar aos dias atuais, nota-se que, no Brasil, a questão da espetacularização da violência pela mídia não se difere da história romana, pois o sensacionalismo jornalístico e a naturalização da violência é uma marca constante nesse país. Nessa perspectiva, cabe avaliar fatores que favorecem esse quadro.

A princípio, é importante ressaltar que o sensacionalismo do jornal brasileiro é decorrente de interesses econômicos, tendo em vista que a audiência é sinônimo de mais publicidade, e publicidade é sinônimo de mais dinheiro para aquele veículo. Acerca disso, é pertinente trazer o documentário “Quem matou Eloá?” que retrata como a mídia influenciou ao tratar o caso de sequestro da jovem Eloá como uma novela e o mesmo foi romantizado. Dessa forma, a mídia acaba sendo negligente, usando recursos até mesmo teatrais para atrair o público e se distanciando de um jornalismo confiável.

Em seguida, é relevante analisar como a sociedade naturaliza a atos agressivos, tornando pessoas menos empáticas e críticas sobre a realidade. De acordo com a filósofa Hannah Arendt na qual os indivíduos tendem a banalizar o mal transmitido habitualmente, acarretando passividade social. Sob tal ótica, observa-se que, a sociedade não está refletindo de fato o que consume nas mídias, as pessoas já não se comovem e nem se chocam mais, de tão próxima, presente e cotidiana que é a violência.   Portanto, medidas são indispensáveis para minimizar o problema. Cabe o Poder Legislativo impor limites ao sensacionalismo, aplicando leis especificas que multem as empresas midiáticas que atendem contra a dignidade dos envolvidos em quaisquer situações, a fim de contribuir com uma impressa transparente e democrática. Ademais, as escolas em parceria com as famílias, devem inserir a discussão sobre esse tema tanto no ambiente doméstico quanto no estudantil, por intermédio de palestras, com o intuito de criar cidadãos mais críticos e empáticos. Desse modo, as mídias não serão palco de espetáculo como o coliseu foi para a Roma Antiga.