Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 16/06/2020
Na Grécia Antiga,os filósofos da Escola Sofística empregavam uma vertente relativa,ou seja, métodos contrários a verdade com intuito de persuadir e enganar os cidadãos gregos por meio do uso da palavra. Hodiernamente, os meios midiáticos exibem publicações exacerbadas acerca de temáticas concernentes à violência que resultam em consequências nocivas à sociedade como o aumento da prática da autotutela e o fomento ao exercício da agressividade física e psicológica.
A priori, nota-se que a mídia,mas transmissões de filmes,séries,novelas e jornais,expõem a ideia de que a autotutela é uma prática benéfica e que pode ser ponderada pelos indivíduos como uma forma de punir aqueles que cometem delitos. Sob essa perspectiva, a série da Netflix, O Justiceiro, retrata a história do personagem fictício Frank Castle que ao presenciar o massacre da sua família, decide fazer justiça com as próprias mãos após a oposição dos tribunais a condenação dos culpados ,posteriormente, executa os transgressores e incumbe a si mesmo a missão de levar justiça até os criminosos espalhados pelo mundo. Dessa forma, a mídia contribui com a disseminação da concepção de que a autotutela é a solução para a impunidade dos casos de violência, que tanto revoltam a sociedade.
Outrossim, a maneira instantânea e sensacionalista que a mídia transmite as notícias favorece a divulgação de informações inverídicas e influencia práticas violentas. Nesse contexto, a dona de casa Fabiane Maria de Jesus foi espancada e assassinada por moradores do bairro Morrinhos, após ser confundida com uma suposta sequestradora de crianças,cujo retrato falado havia sido divulgado falsamente nas redes sociais. Dessa forma, nota-se que a mídia pode atuar de maneira a suscitar a violência, uma vez que divulga notícias, em muitos casos falsas, que ageram reações imediatas de agressão seja física, seja verbal contra o indivíduo que cometeu o crime.
Em suma, é evidente as consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira e medidas devem ser propostas para reverter esse panorama. Desse modo, é essencial que haja o supervisionamento dos conteúdos expostos na mídia aos indivíduos, a fim de que não sobrevenha a contribuição para a disseminação da concepção da autotutela como uma forma de justiça. Além disso, cabe ao Estado, por meio do Poder Judiciário, punir as entidades midiáticas que propagam notícias inconsistentes, a fim de que não haja a promoção e o incitamento de violência pelo público. Assim, haverá a atenuação dos efeitos da espetacularização da violência pela mídia na sociedade brasileira.