Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 16/06/2020
Thomas Hobbes, teórico contratualista, afirma que, o homem, no estado de natureza, viveria em um estado de medo constante, pois a rivalidade daqueles que querem a mesma coisa levaria ao conflito. Fora da hipotética realidade de Hobbes, observa-se que, hoje, embora o jornalismo seja o cão de guarda da sociedade, a espetacularização da violência e o destaque dado por ela à notícias ruins traz a mesma sensação de medo para o homem contemporâneo.
Em primeira instância, cabe analisar o papel fundamental da mídia nessa questão. A televisão tem como princípio legítimo “fiscalizar” a sociedade, atuar como guardião, noticiar injustiças, promover debates e reflexões. A cobertura de casos pela mídia ajuda na resolução desses, a medida que pressiona os órgãos competentes pela investigação. Entretanto, ela, ao trazer a notícia, investiga, absolve e condena, mesmo que de maneira sutil. E, dessa forma, acaba por influenciar a opinião e o comportamento das pessoas.
Em segunda instância, deve-se compreender as consequências do destaque dado à violência pela mídia. Embora a cobertura de crimes feita pela televisão aumente as chances de resolução. Na medida em que há repetição de notícias ruins, tornando isso algo cotidiano e normatizado, a sua influência torna-se negativa, de modo que leva à banalização da violência e também da vida. Prova disso foi, por exemplo, o amplo televisionamento do sequestro da menina Eloá, o qual resultou na morte de uma das reféns.
Fica claro, portanto, como a mídia possui um papel social muito importante. E, para mitigar essa questão, é necessário que haja colaboração geral dos meios de comunicação, para estimular a divulgação consciente dos casos de violência, evitando excessos e tendo cuidado para não heroicizar, nem culpabilizar com antecedência, os acusados. Para que assim, o homem possa sair desse estado de medo constante, tal qual o estado hobbesiano, potencializado pela mídia.