Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 24/09/2020

A mídia surgiu como um veículo informacional e de entretenimento, o qual apresentava o objetivo, principalmente, de promover o acompanhamento e a divulgação dos acontecimentos diários na sociedade. No entanto, apesar de seu papel essencial para a exposição de fatos, a mídia brasileira tem se tornado um mecanismo de espetacularização da violência. A partir dessa realidade, o comportamento da população é influenciado de forma inadequada e ocorre a banalização da violência.

É válido retratar, em primeira análise, de que maneira a conduta de abordagem da mídia impacta na sociedade e em seu comportamento. De fato, o século XXI é marcado pela rapidez da divulgação de informações, o que favorece o imediatismo — descrito pelo sociólogo Zygmunt Bauman. Tal fenômeno promove a publicação de notícias sem a apuração necessária e gera o aumento do número de discursos distorcidos. Desse modo, a população — exposta à toda e qualquer forma de violência retratada pela mídia de maneira descuidada — é, muitas vezes, influenciada por discursos errôneos que geram comportamentos inaceitáveis, como a justiça feita pelas “próprias mãos”.

Cabe considerar, em segunda análise, o impacto causado pela normalização da violência passada pelas matérias televisionadas. Partindo desse preceito, a filósofa alemã Hannah Arendt descreve a manifestação da banalidade do mal, em que ocorre a normalização da crueldade devido, muitas vezes, à manipulação. Nesse cenário, conforme atitudes violentas são naturalizadas por influência dos noticiários, a vida humana perde o seu valor e pessoas violentadas tornam-se apenas números.

Mediante o exposto, pode-se concluir que o sensacionalismo e imediatismo das matérias midiáticas voltadas à violência geram o descontrole social, além de estimular atitudes que desrespeitam o Estado de direito. Logo, o poder legislativo brasileiro deve promover a criação de leis mais eficazes no combate a esse comportamento da mídia, por meio da criação de um Marco Regulatório da Comunicação, o qual estabeleça limites para veiculação de imagens e vídeos de violência extrema em canais abertos. Espera-se que, a partir dessa medida, a sociedade não se encontre tão exposta à violência e, assim, a vida possa ser devidamente valorizada.