Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 24/06/2020

Em “Sociedade do Espetáculo”, de Guy Debord, traz uma reflexão sobre como na sociedade contemporânea há uma espetacularização da vida. Diante à isso, é como alguns meios de comunicações divulgam os fatos ocorridos através da mídia, trazendo consigo uma espetacularização da violência ao captar e potencializar na sociedade brasileira as informações obtidas, o que consequentemente, acaba ampliando a violência e até a banalização da vida.

Convém ressaltar de início, que o jornalismo é um dos lugares de debates e de reflexão, entretanto, na busca pela audiência, muitos jornais têm recorrido à práticas que ferem este espaço, na qual são expostos os crimes na mídia através de programas policiais e noticiários, como um ato banal, tratando como se fosse algo normal e cotidiano. Assim, fazendo com que haja perda na capacidade crítica diante de problemas reais, o que reflete ao pensamento do filósofo na situação da contemporaneidade brasileira. Um exemplo dessa espetacularização da violência é o programa “Polícia 24h”, mostrando em primeira mão, o processo de aprisionamento de pessoas que causaram algum mal a sociedade, expondo ao público armas, brigas e muitas vezes mortes. Devido ao resultado da repercussão que se ganha pelas redes sociais, ao apelar e atrair a atenção do público com objetivo em causar algum tipo de emoção naquele que os assistem, o que ajuda a agravar ainda mais a situação vivida.

Contudo, a televisão particularmente, tem a obrigação de mostrar que há outras formas de relacionamento entre as pessoas do que as marcadas pela brutalidade, mas fazem o contrário, os estimulam, causando assim, a extrema agressividade diária por meio da mídia que faz questão de moldar o ser humano a ser mais violento. Ademais, como alguns meios de comunicações mostram  as opiniões sobre esses casos, também podem influenciar atitudes para apoio e multiplicação desse tipo de violência, que terá um papel importante ao dar destaque absurdo a essas fontes de informações que pegam visões em massa. Com isso, cada vez mais a imprensa faz proveito do ódio presente na sociedade, como forma de show a ser assistido pelo público que consome a agressividade exposta e, assim, esses meios continuam produzindo o espetáculo.

Portanto, a espetacularização da violência pelas mídias é um mal social a ser superado. Para tanto, o Poder Legislativo deve impor limites ao sensacionalismo jornalístico, por meio de leis específicas que multem empresas que atentem contra a dignidade dos envolvidos em quaisquer situações de violência, no intuito de construir um jornalismo transparente e em prol do coletivo. Além disso, cabe às instituições responsáveis pela formação de indivíduos, como escolas, o incentivo do senso crítico social, mediante  de palestras, a fim de ampliar a visão cidadã diante de fatos problemáticos e sensíveis.