Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 19/06/2020

É indubitável que a mídia exerce um papel de grande relevância na construção de pensamento da massa. Desde a Alemanha Nazista, Hitler se utilizava dessa ferramenta para disseminar suas ideias e fomentar o ódio contra judeus. Paralelo a isso, no Brasil atual, o mesmo meio tem sido utilizado como forma de espetáculo frente à violenta realidade do país; tendo como consequência o comprometimento do progresso da justiça forense como um todo.

Primeiramente, convém mencionar que essa postura midiática incentiva a desvalorização do devido processo legal. Esse aparato processual contido na Carta Magna de 1988 garante, sobretudo à coletividade, que o caso será analisado minuciosamente e terá como fruto o surgimento da verdade. Ao pender para o imediatismo, a mídia atropela a ferramenta jurídica, podendo gerar pré-julgamentos errôneos, além de dar a entender à população que esse tipo de situação pode ser resolvida sem a menor complexidade.

Além de prejudicar o procedimento judicial, essa exposição feita pela imprensa pode ser crucial na resolução de um crime. Como, por exemplo, em 2008, quando Eloá foi sequestrada e mantida em cárcere privado pelo seu ex-namorado. Enquanto a polícia se esforçava para libertar a vítima com vida, o criminoso assistia pela televisão toda estratégia utilizada contra ele.

Dessa forma, fica evidente a necessidade de políticas públicas a fim de se evitar mais danos. O Ministério das Comunicações deve, ouvindo as opiniões da Associação Brasileira de Imprensa e demais entes da categoria, estabelecer diretrizes sobre a cobertura jornalística do país, com ênfase em preservar a honra e a vida dos envolvidos na reportagem. Somente assim daremos fim a essa cultura de transformar crime em reality show.