Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 21/06/2020

“Quem matou Eloá?” é um documentário que fala a respeito do caso de Eloá Pimentel, uma menina de 15 anos, que antes de sua morte, foi feita de refém e mantida em cárcere privado por 5 dias pelo namorado Lindemberg Alves. O caso imediatante teve uma imensa repercussão nacional, fazendo deles, alvo das câmeras de todas as emissoras de televisão brasileiras. Por conseguinte, deve-se levar em conta a influência da espetaculização dos canais midiáticos e a inconveniência dos mesmos em situações onde apenas as autoridades deveriam intervir.

Inicialmente, é visível a forma invasiva e imediatista que a mídia possui para - segundo ela - manter seus telespectadores a par de todos os acontecimentos do dia a dia. Principalmente quando se trata dos casos de mais exclusividade, como o de Eloá, que enquanto era mantida sobre um revólver, repórteres entrevistavam abertamente seu sequestrador e homicida, possivelmente deixando-o com maior tensão e apreensividade. O jornalista possui papel fundamental em nossa sociedade, porém, é preciso rever o quão a fundo devem ir, para conseguir alcançar a tão aclamada audiência.

Ademais, é notável que intervenção dos programas de TV na opinião pública é audaciosa e profusa, abrindo caminhos para diversos tipos de especulações, podendo criar-se várias versões de uma mesma historia. Outrossim, a busca pelos meios de deixar as matérias mais instigantes e cinemáticas, acaba por amenizar a gravidade das situações de conflito, deixando a população mais alienada e apática com o sofrimento alheio.

Em suma, é necessário que o ministério da justiça em parceria com o ministério da educação e instituições de ensino interfiram de maneira direta e efetiva nas conjunturas supramencionadas, afim de melhorar a privacidade e efetividade das as ações e investigações policiais. Não apenas criando leis que restringem a interação direta dos profissionais da área da comunicação com tais operações, mas também dando ênfase para a educação dos mesmos sobre ética e moral, por meio de cursos extracurriculares noturnos - quando maior parte dos alunos e professores  estão livres - e campanhas de conscientização nas faculdades. Para assim, conseguir-se futuramente uma maior capacidade de discernimento de até onde os entrevistadores devem ir para conseguir seu objetivo, aumentando a empatia e solidariedade acerca das eventualidades do cotidiano.