Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 24/06/2020
No filme “O Abutre”, o protagonista é um repórter que, a fim de conseguir dinheiro, constantemente busca por notícias sobre crimes e acidentes chocantes para vender aos telejornais. De modo análogo, porém fora da ficção, esse gênero particular de notícia, que é caracterizado pelo conteúdo pobre em informações benéficas ao intelecto, mostra-se popular no Brasil. De modo que evidencia uma problema, já que limita a capacidade intelectual dos que, com vigor, acompanham esse tipo de conteúdo, o que corrobora o conceito de Indústria Cultural. Dessa forma, a fim de mitigar essa problemática, é necessário, à princípio, entender o porquê disso ser algo maléfico e, então, propor solução cabível. Primeiramente, é relevante entender essa situação sob a perspectiva do conceito de Indústria Cultural, formulada por dois expoentes da escola de Frankfurt - Theodor Adorno e Max Horkheimer. Essa teoria diz que as indústrias produtoras de conteúdo de teor cultural - como filmes, músicas e, sobretudo, notícias - se aproveitam da capacidade atrativa de suas informações com o propósito, muitas vezes único, de angariar dinheiro, consequentemente, deixando de apresentar conteúdo que aumente o intelecto dos seus consumidores. Dessa maneira, no caso dos telejornais, é feito uso de um padrão: notícias chocantes que buscam espetacularizar crimes, acidentes ou desastres.
Somado a isso, é necessário levar em conta a capacidade desse tipo de conteúdo diminuir a capacidade intelectual dos seus consumidores, o que inviabiliza que estes cumpram com eficácia o papel de cidadão. Seja pelo padrão de informações apresentadas, seja pela baixa qualidade, esse gênero de notícia, ao poucos, subtrai a faculdade do indivíduo de atuar como cidadão, visto que esses programas não apresentam formas de estimular o indivíduo a atuar em prol de melhorias em relação aos problemas apresentados. Dessa forma, tem-se um aumento do número de pessoas incapazes de pensar criticamente.
Portanto, em face dessa problemática, mostra-se necessário ao Ministério da Educação proporcionar a realização de palestras, em escolas e locais públicos, que visem informar às pessoas os potenciais malefícios que esse gênero de notícia pode causar à capacidade de atuar como cidadão pensante. Além disso, é imprescindível que os canais televisivos criem campanhas que fomentem a o pensamento crítico, elas devem aparecer nos comerciais que ocorrem durante a transmissão desses noticiários. Assim, é possível amenizar os danos causados por essa problemática.