Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 29/06/2020
No ano de 2008, o caso Eloá Cristina, conhecido por ser o mais longo sequestro em cárcere privado no Brasil, atingiu grande repercussão na mídia nacional e internacional. Nesse sentido, a mídia brasileira criou um tipo de “espetacularização do crime”, o que acabou resultando na morte de Eloá. Desde a Revolução francesa, os meios de comunicação já eram muito usados para propagar informações, motivando, consequentemente, a liberdade de imprensa e garantindo o poder da persuasão. De mesmo modo, hodiernamente, o problema da espetacularização da violência ainda persiste, trazendo consequências como, a romantização da violência e o aumento da taxa de criminalidade.
Deve-se destacar, primeiramente, que a mídia tornou a população muito mais informada transformando não só o contexto histórico da humanidade, mas também a forma de pensar e de agir. Porém, a imprensa conseguiu atrair ainda mais o público por meio da forma como transmitia as notícias, conseguindo transformar a vida das pessoas em “novelas”, ou seja, romantizando, muitas vezes, episódios de violência, por exemplo, o caso da garota Eloá, que foi mantida em cárcere privado pelo seu ex namorado. Dessa forma, é inaceitável que, em pleno século XXI, a mídia seja negligente e não tenha respeito com os cidadãos, violando o que é exigido constitucionalmente.
Outrossim, vale ressaltar que a forma como a mídia brasileira transmite a informação influencia no aumento da taxa de criminalidade. Posto isto, é de conhecimento geral que o Brasil é um país com alto índice de criminalidade, à vista disso, os meios de comunicação contribuem, também, para que esse fato seja uma realidade no País. Assim sendo, na maioria das vezes, a violência é retratada de forma banal na imprensa, o que garante que os indivíduos com mentes criminosas tenham liberdade de fazer o que quiserem e, ainda assim, sair impune. Portanto, é fundamental uma reforma nas atitudes dos jornalistas, responsáveis por transmitir as informações, para que, assim, a diminuição da criminalidade deixe de ser uma utopia.
Em suma, é necessário que o Poder Legislativo, em parceria com o Ministério Público Federal, crie, por meio de políticas públicas, uma lei que proíba a imprensa de banalizar e negligenciar temas tão graves e que, infelizmente, é uma realidade para muitos brasileiros, a fim de garantir que a violência seja tratada como algo sério e não como uma forma de “entreter” o público. Dessa maneira, com tais implementações, a espetacularização da violência poderá ser uma mazela passada na História brasileira. Ademais, de acordo com Confúcio, filósofo chinês, " não corrigir nossas falhas é o mesmo que cometer novos erros".