Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 01/07/2020
Conhecida como “cidadã”, por ter sido concebida no processo de redemocratização, a Constituição Federal foi promulgada em 1988 com a promessa de assegurar os direitos de todos os brasileiros. No entanto, apesar da garantia constitucional, nota-se que a banalização da violência configura-se como uma falha no princípio da isonomia. Sendo assim, percebe-se que as consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira possuem raízes amargas no país, tornando-os não só indivíduos mais agressivos, mas também a insensibilidade por parte dos jornalistas.
Em primeiro plano, é evidente que a mídia usa a violência e a degradação moral como espetáculo, visto que gera mais audiência. Segundo o poeta e filósofo Allan Ginsberg, o peso que a mídia tem na balança é o mesmo peso da cultura, quanto mais violências somos expostos, mais violentos ficamos. Nesse contexto é indubitável a necessidade de serem tomas atitudes pelas autoridades competentes para resolver essa problemática.
Ademais, o tendencionismo da agressão é refletido também nas abordagens insensíveis feitas pelos repórteres aos parentes das vítimas, demonstrando uma sensibilidade sobposta à necessidade de elevação da audiência. Consoante o Fenômeno da Psicoadaptação do psiquiatra Augusto Cury, a exposição repetida ao mesmo estímulo tem a capacidade de adaptar o ser humano as emoções de prazer ou dor. Nesse contexto, as práticas sensacionalistas utilizadas constantemente na mídia têm, por conseguinte, uma população progressivamente apática, uma vez que se psicoadaptaram as imagens de violência e à infimidade de empatia dos repórteres transmitidas por esses veículos jornalísticos.
A Secretaria de Imprensa da Previdência da República deve realizar projetos para seus funcionários a fim de que apresentem um programa mais leve e sem incentivo a agressão. É de suma relevância a realização de palestras e fóruns para conscientizar os jornalistas que seus conteúdos causam impactos aos ouvintes, já que são grandes formadores de opiniões públicas. Portanto é fundamental cuidados maiores ao abordar o assunto.