Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 06/07/2020

Contemporaneamente, a violência tem sido presente em diversas regiões do mundo, inclusive no Brasil. Na maioria das vezes, só sabemos disso por meio da mídia, em alguns casos de forma errônea. Por exemplo, em espetacularizações dos crimes, que podem acarretar grandes mudanças no comportamento (negativo) das pessoas, resultando na ocorrência de novos crimes. Logo, remediar tal problemática é imprescindível.

Em primeiro lugar, cabe pontuar que se não houvesse tanta repercussão de violência na mídia não aconteceriam tantos crimes. Prova disso é que há evidências esmagadoras de que o entretenimento violento é um fator causal na promoção de atitudes e comportamentos agressivos, (fato descoberto pela Associação Americana de Psicologia) como, por exemplo, preencher carência de algo utilizando a violência, vingança e entre ouros problemas. Nesse sentido, é necessário ter uma relevância considerável antes da mídia tomar a decisão de “colocar no ar” notícias detalhadas com conteúdo violento.

Ademais, em muitos casos os crimes são romantizados, o que pode causar uma visão errônea da tragédia. Embora seja necessário deixar a sociedade alerta ao mundo real, a mídia, que deveria espelhar as contradições e conflitos na sociedade, banaliza a informação. Além disso, estudiosos observam que o tempo de duração de violência na mídia e a descrição minuciosa do crime é um fator considerável para provocar existência de humor na apresentação das cenas, especialmente para crianças menores de sete anos, pois a capacidade cognitiva delas é considerada um fator de vulnerabilidade, por isso não conseguem distinguir claramente a violência dos desenhos animados da realidade, podendo ter resultados negativos em sua vida como cidadão.

Considerando os aspectos mencionados, fica evidente a necessidade de medidas para reverter a situação. Primordialmente, deve-se buscar um padrão de jornalismo que use ferramentas responsáveis em seu ofício, dosando as notícias, sem descrever com muitos detalhes, diminuindo o tempo de duração e a quantidade de reportagens com conteúdo violento.

Dessa forma, evitando glorificar o marginal e poupando a espetacularização do crime. Em síntese, a mídia é um recurso extraordinário conquistado pelo homem que deve, ele próprio, ter um domínio controlado dessa maravilha e encontrar meios de inibir suas consequências negativos. Só então será possível que a mídia seja uma fonte de informações que não romantiza a violência e que não acarreta reflexos ruins para o bem-estar a sociedade brasileira.