Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 26/06/2020

A liberdade de mídia é algo previsto no artigo 220 da Constituição Federal de 1988, logo os diferentes meios jornalísticos têm o direito de publicarem o que desejam, desde que não infrinjam os Direitos Humanos. No entanto, a imprensa atual tem utilizado esse direito à livre divulgação de informações de forma correta constitucionalmente, mas contraditória no aspecto ético e moral. Isso ocorre, pois há, hoje, uma cruel espetacularização da violência, no qual a mídia utiliza as imagens chocantes de diversos crimes no intuito de conseguir captar a atenção dos espectadores.

Entre as consequências desse foco na violência dos meios midiáticos destaca-se o papel deseducador dessas informações, pois, de acordo com o filósofo Francis Bacon, o comportamento humano é contagioso. Portanto, quando os jornais apresentam, de maneira constante, notícias trágicas, o consumidor acaba assimilando que esse tipo de comportamento é normal. Além disso, como forma de espetacularizar ainda mais o fato, os noticiários focam muito mais nos responsáveis pelo crime do que nas vítimas efetivamente, inserindo na mentalidade pública, de maneira indireta, que ser criminoso é mais relevante socialmente do que viver pacificamente. Desse modo, esse modal de mídia contribui para que as pessoas se tornem mais violentas, e, consequentemente, piorando o convívio social.

Entretanto, essa realidade mostra que vários eixos sociais do Brasil estão enfraquecidos. Isso ocorre, pois o sociólogo Emílie Durkheim possui uma teoria que indica que a formação da mentalidade humana é consequente de várias instituições sociai: família, escola, religião e mídia. Assim, se os jornais fazem um papel de divulgar e, indiretamente, incentivar a violência, caberia aos demais estamentos garantir que esse comportamento não fosse o predominante na sociedade, fato que estatisticamente não ocorre, pois de acordo com o Atlas da Violência de 2018, no Brasil ocorrem mais mortes violentas do que em regiões em guerra civil, como a Faixa de Gaza. Dessa forma, evidencia-se que o absurdo da grande violência assimilada à população brasileira é um fator estrutural e a mídia é apenas mais um contribuinte para tal empecilho.

Frente ao exposto, o Brasil sofre muito com a violência. Logo, para reduzir a banalidade desse embaraço social, o Poder Executivo deve promulgar leis que limitem espetacularização da violência promovida pela mídia. Isso deve ocorrer, por meio da retirada de vídeos que apresentam violência explícita da circulação pública, além de que, nos jornais, ao se divulgar algum crime, deve-se sempre focar na história da vítima do crime, ao invés de apenas divulgar a imagem do criminoso. Ou seja, deve-se fazer ao contrário do que foi feito no Massacre de Suzano, visto que o perfil dos dois responsáveis pelo ato terrorista foi amplamente compartilhado, enquanto que os jovens brutalmente assassinados receberam pouquíssima atenção midiática.