Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 05/07/2020

O site “Sensacionalista” satiriza o uso de manchetes de cunho apelativo promovido pela mídia brasileira e emprega o humor a fim de aproximar o leitor. Essa proposta é pertinente visto que existem jornais que não se preocupam em transmitir uma informação genuína, mas utilizam de artifícios violentos em benefício próprio. Tal situação é negativa e gera  graves consequências como o abuso do espaço midiático e o constrangimento moral das vítimas, fatores que carecem de imediata penalização.

Em princípio, cabe dizer que o jornalismo brasileiro muitas vezes ultrapassa os limites da própria função ao assumir um papel do qual não foi incumbido. Esse cenário ocorre, já que, ao exceder seu espaço, os telejornais chamam a atenção de grandes audiências, o que garante certa alienação do público e, consequentemente, o lucro. A partir desse contexto, é importante citar o caso de Eloá, ocorrido em 2008: a adolescente foi mantida em cárcere privado pelo ex-namorado e teve seu sequestro televisionado em rede nacional. No episódio, os repórteres estabeleceram contato com o criminoso e com a vítima, fato que atraiu grandes públicos e culminou na espetacularização do que veio a ser uma tragédia: a morte de Eloá. Evidencia-se, aqui, uma atitude negligente da rede de telejornal que, ainda presente em nossa sociedade, exige rápida interferência.

Ademais, é importante afirmar que a frieza dos jornais na transmissão de notícias é igualmente perigosa e contribui para a transformação do jornalismo em performance e de fatalidades em atrações. Isso ocorre, visto que, para se diferenciar dos concorrentes, algumas mídias jornalísticas se submetem a todo tipo de conduta no intuito de cativar a população, em detrimento do bem-estar das vítimas envolvidas e de suas famílias. A exemplo disso, cabe citar o caso de Mariana, reportado em 2020 pelo programa “Cidade Alerta”: o jornalista responsável informou sobre a morte da jovem, ao vivo, à mãe que estava presente, expondo-a a grande constrangimento quando veio a desmaiar em frente às câmeras. Nesse sentido, percebe-se a necessidade de a sociedade selecionar melhor suas fontes de informação para que não patrocine tais atrocidades.

Portanto, a fim de diminuir os impactos negativos da imprensa sobre a população e combater a espetacularização de violências, o Senado deve propor uma lei que responsabilize as redes jornalísticas em caso de abusos do espaço midiático e de constrangimento moral de qualquer pessoa. Além disso, o Ministério da Educação, por meio de campanhas nas escolas, deve estimular maior senso crítico sobre as crianças. Essas campanhas precisam ensinar a selecionar e reter informações verídicas de jornais e telejornais imparciais e responsáveis. Dessa forma, a população poderá desfrutar de jornais mais saudáveis e interessados, essencialmente, em informar com respeito e bom senso.