Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 08/07/2020
No filme “O Ódio Que Você Semeia”, a adolescente Starr Carter testemunha o assassinato de seu amigo negro desarmado, Khalil, por um policial branco. Por conta disso, muitos foram os desafios enfrentados por Carter para conseguir justiça ao seu amigo vítima de um lastimável crime. Não tão distante do cinema, no século XXI, a violência cresce no Brasil. De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, foram registrados 63880 homicídios no País em 2017. Sob esse cenário, a mídia aumentou a apresentação da violência, transmitido-a, muitas vezes, como uma forma de entretenimento. Sob tal viés, essa infeliz realidade gera consequências, como o desrespeito aos direitos dos cidadãos e a reafirmação da desigualdade social.
Em primeira análise, é imprescindível salientar que, de acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, ninguém será sujeito a ataques à sua honra e reputação. Nessa ótica, na atual realidade brasileira, tal garantia é deturpada, uma vez que ainda há, por redes de jornalismo, um julgamento sensacionalista de crimes, com o objetivo de entreter seu público. Nessa perspectiva, um dos principais exemplos que demonstram essa lamentável situação são os programas televisivos que retratam um cidadão como criminoso, contudo, diversas vezes, ele não foi devidamente julgado pela Justiça Brasileira para confirmar a veracidade dessas acusações. Em suma, tais atitudes violentam simbolicamente os direitos individuais.
Ademais, vale ressaltar que a espetacularização da violência é um cenário nefasto que reafirma a desigualdade social entre os cidadãos. Isso ocorre devido à exposição, pelos meios midiáticos, de pessoas, em sua maioria, em posição social desfavorecida que, majoritariamente, não possuem recursos para a obtenção de advogados que garantam o cumprimento de seus direitos. Nesse âmbito, segundo o conceito do filósofo Hans Jonas, agir eticamente é seguir preceitos que devem ser iguais para todos. Seguindo essa linha de pensamento, a falta de defesa pública eficaz para uma parcela populacional vai de encontro às ideias de Jonas, visto que fere seu conceito de igualdade.
Percebe-se, portanto, que muitas são as consequências geradas pela espetacularização da violência pela mídia brasileira. Com o fim de atenuar essa realidade, é dever do Ministério Público Federal criar um programa de defesa, por meio da liberação de verbas públicas para a contratação de profissionais da área da advocacia, com o objetivo atender judicialmente o acusado, caso ele queira processar o programa que o abusou. Além disso, deve ser disponibilizado um telefone para pessoas denunciarem tais casos e solicitarem essa ajuda para o afetado. Assim, os Direitos Humanos de todos serão mais respeitados.