Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 06/07/2020
O Coliseu, na Roma Antiga, era um grande visto de entretenimento, onde o espetáculo era a violência explícita. Assim, os cidadãos romanos, influenciados pela política do “Pão e Circo”, normatizavam as agressões e, logo, convertia em divertimento um problema verdadeiro na cidade: a violência. Posto que, o avanço da mídia social cresceu a sociedade do espetáculo do Império Romano, pondo em vista que a espetacularização da violência exposta distorce o desenvolvimento temporal do homem. Nesse ínterim, o individualismo prepoderante nas práticas, como também a naturalização da violência pelo corpo social são características motivadoras desse cenário.
Deve-se pontuar, que o sensacionalismo do jornal brasileiro decorre de causas individuais, tendo em vista que o interesse é privado. Conforme o sociólogo Zygmunt Bauman, na obra “modernidade líquida”, as interações do mundo contemporâneo são fragilizadas , uma vez que se prioriza o desenvolvimento pessoal em detrimento de atividade coletiva. Sob esse viés, a intenção das impressa jornalísticas não são, somente, manter a mídia informada em tempo real, mas sim, estar à frente de seus concorrentes para garantir o máximo de audiência, que permite maior renda de anúncios. Com efeito, a produção de conteúdo ocorre sem limites,pois a difusão de notícias a qualquer custo e sem um reflexo conjuntivo, corrompe a dignidade dos envolvidos com às violências que induzem o mal comportamento da massa.
Consequentemente, a sociedade naturaliza a violência exposta e, logo, perde a capacidade crítica perante momentos de problemas reais. Tal conjuntura amplia o pensamento filosófico de Hannah Arendt, na qual os sujeitos tendem a banalizar o mal difundindo corriqueiramente, gerando passividade social. Com isso a “sociedade do espetáculo” abastece o jornalismo sensacionalista, dado que consomem a esses conteúdos sem um reflexo prévio e como forma de entretenimento, tal como ocorrido da Roma Antiga. Dessa forma persiste um ciclo duvidoso: o povo aceita e absorve a violência exposta e, assim, a mídia continua gerando o “espetáculo”.
Conclui-se, portanto, que a espetacularização da violência exposta nas mídias é um mal social a ser superado. Para isso o Poder Legislativo deve impor limites ao sensacionalismo jornalístico, por meio de leis específicas que multem empresas midiáticas que atuam contra a dignidade dos envolvidos em situações de vulnerabilidade e violência, no intuito de construir um jornalismo transparente em prol coletivo. Ainda às escolas e instituições responsáveis pela formação de indivíduos autônomos o papel de incentivar o senso crítico do corpo social, através de palestras e atividades lúcidas para ampliar a visão cidadã diante dos problemas. Assim as mídias sociais não serão um palco de espetáculo como Coliseu foi na Roma Antiga.