Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 06/07/2020

Historicamente, a Revolução Técnico-Cientifico e Informacional de 1999 foi responsável por modificar a produção e consumo dos indivíduos. Nesse sentido, a demanda altíssima por computadores, celulares e tablets impulsionou não apenas o desenvolvimento tecnológico mas também a rapidez no compartilhamento das informações. Desse modo, a enorme quantidade de materiais, a todo momento e em todo lugar, por esses veículos de comunicação estimulam a concorrência entre empresas jornalísticas, visto que, visualizações e curtidas refletem financeiramente no mundo contemporâneo. Assim, as mídias brasileiras com a necessidade de usufruir da influência da internet, informam as notícias como espetáculo para adquirir a audiência desejada, pois os indivíduos mostram-se apáticos independente dos horríveis fatos. Logo, as consequências desse processo são a desumanização e a “cegueira”.

Analogamente, o excesso de notícias violentas na atualidade promovem a “Banalização do mal”, intitulada pela filósofa Hannah Arendt, como ações maldosas efetivadas para com outro ser humano e que por algum motivo tornam-se naturalizadas, realizadas de forma mecânica, sem constrangimento. Em suma, a abundância de notícias negativas na sociedade contemporânea promove o deslocamento da ética, perante problemáticas atuais como desigualdade social, violência (inclusive a policial) e racismo tornando os indivíduos meros espectadores dos acontecimento e não mais modificadores da realidade existente.

Do mesmo modo, o comodismo e apatia gerados pela força das mídias sociais influem, não apenas, na capacidade de agir mas também na visualização das problemáticas. Outrossim, no livro “Ensaio sobre a cegueira” de José Saramago é retratado o processo de cegueira em massa da população e como a mesma passa a viver sem ninguém para protegê-los. No entanto, apenas uma pessoa, dentre todas, não foi afetada, porém permanece “cega” mesmo com todas as capacidades intrínsecas de enxergar tudo ao seu redor.

Finalmente, é imperioso que o Ministério da Educação unido ao Governo Federal crie uma nova lei que diminua o tempo da rede de televisão em caso de espetacularização das notícias. Isso, tornará obrigatório que as mídias de comunicação sejam menos tóxicos e invasivos no momento da veiculação das informações. Além disso, programas como Café Filosófico, Cultura e Tv Escola devem ser estimulados com maiores propagandas, para que as discussões mais amplas sobre as principais temáticas -saúde, educação, violência- sejam embasadas nas ciências sociais e no debate saudável de como solucioná-las mas nunca no sensacionalismo gerado pela espetacularização.