Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 10/07/2020

O livro, “A sociedade do espetáculo”, de Guy Debord, faz crítica à sociedade imagética que vive alienada no espetáculo da vida alheia, baseando-se em imagens supérfluas. De maneira análoga, a mídia brasileira espetaculariza a violência através de seus meios, garantindo, assim, notoriedade. Certamente, tal premissa causa impactos significativos na sociedade, como a manipulação de comportamentos em massa e o desenvolvimento de indivíduos cada vez mais agressivos.

Em primeira análise, é evidente a característica sutil e complexa que o exercício do poder tem na sociedade moderna. Sem dúvida, a maneira exagerada como as notícias de cunho violento são expostas reverbera a intenção manipuladora da imprensa brasileira. Para Foucault, ocorre através desse processo, a fabricação de corpos submissos e dóceis que se tornam exaltadores da mídia apelativa, isto é, através da espetacularização da violência pelo jornalismo, os meios midiáticos garantem a supremacia de dominação da população como um todo.

Ademais, a teoria da psicologia genética de Piaget pressupõe que, para a criança desenvolver sua razão, afetividade e moral, ela precisa da mediação de um agente. Nesse sentido, nota-se a influência que a mídia detém sobre a construção dos indivíduos no organismo social, pois, através da exposição de cenas violentas pode-se estimular o comportamento agressivo nos cidadãos.

Depreende-se, desse modo, a necessidade de interromper a espetacularização da violência na mídia brasileira. Portanto, apesar de desafiador, o Poder Executivo pode criar leis que imponham limites na exposição de notícias especulativas e determine horários restritos para a divulgação dessas. Dessa maneira, tirar-se-ia o poder manipulador da mão da mídia e se evitaria o contado de exacerbado com cenas violentas, provendo assim, uma sociedade mais autônoma e pacífica.