Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 21/07/2020
Na série Jane The Virgin a personagem principal é vítima de uma exposição midiática, essa que interfere negativamente em sua vida. Infelizmente a realidade não difere muito da série citada e a espetacularização de um problema sério, como a violência, acarreta diversas consequências. Em função disso, dois aspectos são relevantes, a banalização do problema e a insensibilidade advinda dessa.
A priori, é importante ressaltar que a Constituição Federal de 1988 se opõe e condena qualquer tipo de violência e as trata com muita severidade e aparente rigidez. Entretanto, com a existência de casos, cotidianos, de violência e a constante exposição dos mesmos pela mídia, a banalização do problema se torna cada vez mais real. A filósofa judia Hannah Arendt definiu que o mal pode ser banalizado, ou seja, a execução de um certo tipo de maldade seja naturalizada. Quando se banaliza uma questão delicada e triste que envolve indivíduos fragilizados está automaticamente se propagando a banalidade do mal.
Outrossim, a banalização incentiva diversos problemas, como, por exemplo, a insensibilidade por parte dos meios de comunicação com as vítimas e suas famílias podendo causar gatilhos em pessoas que já foram violentadas. O filósofo polonês Zygmunt Bauman escreveu sobre a chamada Modernidade líquida que diz que há uma substituição da solidariedade pelo individualismo e pode ser facilmente relacionada com o tema em questão tendo em vista que uma matéria sobre um caso de violência se torna mais importante do que a vítima envolvida e o sentimento negativo que isso gera.
Portanto, a exibição de forma constante e rotineira da violência através da mídia se caracteriza como um problema na sociedade brasileira. Dessa forma, é necessário que o Poder Legislativo, que é responsável pela elaboração de normas, crie uma lei que restrinja notícias relacionadas a violência apenas em horário pré determinado e impeça divulgação de manchetes e entrevistas desrespeitosas com as vítimas. Além disso, é preciso que o Ministério Público, que é responsável pela fiscalização de normas, fiscalize o cumprimento da Constituição Federal de 1988, também chamada de Constituição Cidadã, para que o tratamento severo com casos de violência seja efetivo.A ação proposta tem como finalidade diminuir as consequências da espetacularização da violência.