Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 24/07/2020
A mídia brasileira tem seguido o que o sociólogo alemão Theodor Adorno denominou de lógica instrumental capitalista, isto é, tem-se preocupado mais com o lucro do que com a qualidade. Tal fato é visto nos noticiários atuais que, regados de “sensacionalismo”, acabam banalizando a violência e passando por cima de princípios básicos do jornalismo como, por exemplo, a checagem de uma informação. Diante dessa perspectiva, cabe avaliar os fatores que favorecem esse quadro e também as consequências sociais que a espetacularização da notícia pode causar.
Primeiramente, vale destacar que a mídia, quando usada de maneira adequada, é uma das armas mais poderosas de uma sociedade. Isso porque esses veículos são formadores de opinião, ou seja, tem o papel de estimular a reflexão da população. Todavia, após seguidas crises financeiras, especialistas explicam que há uma incessante busca pelo lucro, sobretudo em canais de televisão aberta, o que tem feito as mídias optarem por trocar a qualidade editorial por notícias de impacto e imediatas, sendo essas, em grande maioria, as de violência. Muitas vezes essas matérias, publicadas ou transmitidas em canais de grande audiência, vão ao ar sem ao menos serem checadas, o que pode causar transtornos aos envolvidos. Desse modo, entende-se que a espetacularização do tema tem ganhado cada vez mais espaço porque é o que tem dado sustentação a esses canais, que dependem de anúncios publicitários que só são fechados por conta do ibope, ou seja, por conta do grande alcance de pessoas.
Como consequência, problemas sociais têm surgido. O poder da imprensa em formar opiniões e a preferência por programas sensacionalistas tem banalizado a violência e até mesmo estimulado os civis a praticarem justiça com as próprias mãos, o que viola totalmente o Código Penal Brasileiro e também os acordos sobre Direitos Humanos assinados pelo Brasil. Tal fato é tão impactante que é possível até mesmo usar o conceito de fato social ensinado por Emile Durkheim, isto é, a espetacularização das notícias tem mudado o modo coletivo de agir e pensar da sociedade. Assim, muito por conta da banalização do ódio, tem-se visto uma sociedade cada vez mais violenta, com sede de vingança e com muito menos empatia ou alteridade do que o recomendado.
Diante o exposto, percebe-se que espetacularização traz efeitos nocivos não somente ao jornalismo como também à sociedade. Logo, medidas públicas são necessárias para alterar esse cenário de banalização da violência. É fundamental, portanto, a criação de políticas, tanto de instituições públicas quanto privadas, que estimulem não somente os jornalistas, mas também a população, de que o sensacionalismo acaba por banalizar cada vez mais o ódio em uma sociedade cada vez menos humanizada.