Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 08/10/2020
A terceira Revolução Industrial, iniciada no século XIX, trouxe consigo a capacidade de difundir as informações de forma rápida e com um grande alcance. Entretanto, apesar do lado positivo dessa inovação o negativo também está presente, a exemplo dos casos de espetacularização da violência pela mídia. Diante disso, torna-se necessário analisar as consequências da problemática, tais como propagação do medo e incentivo à violência.
Em primeiro plano, é coerente evidenciar que um dos efeitos da espetacularização é a disseminação do pânico na sociedade. Nesse viés, o escritor francês Guy Debord em seu livro “Sociedade do Espetáculo”, escuda que os indivíduos estão organizados em função da produção e do consumo de imagens, ignorando os limites da exposição em nome do capitalismo. Nesse sentido, é possível ilustrar o cenário nacional com os programas policiais, que abordam uma temática violenta, inexistindo qualquer moderação ao mostrarem pessoas sendo presas e corpos expostos ao chão. Então, fica claro a necessidade de combater o popular “jornalismo carniceiro”, que usam as tragédias como imãs para a audiência e, assim, propagam o medo.
Em segundo plano, é válido destacar que a espetacularização da violência pela mídia incentiva a sua ocorrência na sociedade. Dessa forma, a filósofa alemã Hannah Arendt em sua obra “Banalidade do mal”, demonstra que ocorrências que antes eram consideradas absurdas, hoje são vistas como algo natural, como por exemplo os casos de assaltos e agressão que são veiculados pelas redes de informação e comunicação, mas que ainda são fomentados pelos telespectadores. Dessa maneira, fica claro que ao passo que as notícias são fins lucrativos, elas também são capazes de alienar as massas para que não percebam a gravidade da banalização do ser. Logo, é possível perceber a necessidade de mitigar tal problema.
Portanto, para que seja possível atenuar essa situação é preciso que o Poder Executivo, na figura do Ministério das Comunicações, torne mais rígido o projeto de lei que regula a transmissão da violência em meios televisivos e digitais, a fim de que a problemática possa ser freada. Além disso, é mister que as escolas, por meio de campanhas e palestras, transmitam aos alunos a gravidade da espetacularização da violência pela mídia sob o viés filosófico, tornando-os mais críticos com as notícias que eles venham a se deparar. Assim, com essas medidas será possível erradicar essa agrura.