Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 27/07/2020
Promulgada em 1988, a Constituição Federal brasileira garante a todos o direito à liberdade de expressão e ao bem-estar social. No entanto, a nociva espetacularização da violência pela mídia impede que a sociedade desfrute, harmonicamente, de ambos os direitos previstos na Carta Magna. Logo, convém analisar as principais causas, consequências e possível medida visando ao enfrentamento do problema.
Deve-se pontuar, de início, que a constante exibição de casos de violência nos veículos midiáticos, com exacerbado viés sensacionalista e irresponsável, deriva da escassa atuação dos órgãos governamentais para com a fiscalização desse setor. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto isso não ocorre no Brasil. Devido à inércia estatal, inúmeros sites e telejornais exploram temas ligados a crimes e mortes, sem qualquer tipo de censura etária, levando à total banalização da violência e influenciando muitos jovens a reproduzirem tais condutas.
Ademais, faz-se mister ressaltar a crescente busca pelo imediatismo na divulgação de notícias e a total negligência para com a veracidade do conteúdo, como um promotor do problema. Consoante o sociólogo francês Pierre Bordieu, “O que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão.” Partindo desse pressuposto, percebe-se que a exposição precipitada de fatos e opiniões por parte da mídia contribui para a deturpação da realidade, prejudicando, por vezes, a imagem e reputação de cidadãos de forma indevida, bem como, cerceando os demais do direito a uma informação fidedigna e imparcial.
Dessarte, medidas estratégicas devem ser adotadas para alterar esse cenário. Para que isso ocorra, necessita-se que o Ministério Público da União estabeleça, por meio de conselhos e reuniões entre representantes dos telejornais, horários e critérios para a exposição de conteúdos relacionados à violência, bem como, punições administrativas para jornalistas que exponham, indevidamente, pessoas ou organizações. Espera-se, com isso, conciliar a liberdade de expressão midiática à valorização da empatia e da ética na sociedade brasileira.