Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 16/08/2020

A sociedade em rede é resultado de transformações técnico-científicas, econômicas e socio-culturais, vivenciadas durante o século XXI, que orientam a formulação da identidade coletiva. Nesse sentido, diversos são os frutos da globalização informacional no Brasil, entre eles destaca-se a espeta-culização da violência pela mídia. Diante disso, cabe a análise acerca do papel da instituição midiática na construção do ideário popular, além da observação acerca dos efeitos da problemática no tecido social.

É relevante abordar, primeiramente, que os canais de comunicação são, historicamente, agentes significativos para a formulação do Fato Social, comumente, manipulando e promovendo a insensi-bilização humana diante de atos violentos. A exemplo disso, durante o Terceiro Reich, Joseph Goebbels, ministro da propaganda Nazista, utilizou-se de mecanismos midiáticos para a consolidação do discurso anti-semita durante a Segunda Guerra, tornando comum práticas desumanas contra a população judaica. Sob essa perspectiva, a incitação e exposição constante à violência são ferramentas constituintes para tornar trivial barbares, sendo movimento contribuinte para a inercia e impassividade populacional frente à máculas sociais.

Paralelo a isso, filósofos modernos já estudavam, desde o século passado, a influência das mídias no tecido social e as suas consequências práticas na configuração da vida comunitária. Assim, em observação da obra da filósofa Hannah Arendt, evidenciou-se que a banalização de atos maldosos por meio das redes midiáticas, são resultado de um sistema coercivo que utiliza-se das falhas educacionais da população para a normalização de práticas possivelmente consideradas como “abomináveis”. De tal maneira, faz-se comum a exibição de crimes e violência, diariamente, em jornais com grande audiência como o “Cidade Alerta” e nas mídias sociais.

Portanto, deve-se desenvolver alternativas para a remediação desse impasse. Assim, o Ministério da Justiça e Segurança Pública deve fomentar, por meio de debates com o Legislativo, o desenvolvimento de leis que regulamentam a exposição de mídias trágicas ou violentas para que a divulgação desse gênero de conteúdo seja minimizado. Além disso, Ministério da Educação deve estimular o desenvolvimento de campanhas formativas que visem a conscientização social acerca do tema, educando a população para que haja a mudança de conceitos já cravados socialmente.