Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 29/07/2020

A história da mídia é considerada bastante longa e curiosa. No Brasil, com a chegada da Família Real - século XIX, chega também a imprensa. Com isso, inicia-se um formato de comunicação e informação com o povo, por meio dos jornais impressos. Desde então, muitas foram as evoluções na forma de levar notícia a sociedade -  rádio, telejornais e por último, a internet. No entanto, usar de tantos meios requer táticas que chamem a atenção daquele que recebe a notícia. Infelizmente, a mídia brasileira tem usado da espetacularização dos acontecimentos, principalmente da violência, para entreter a população.

Em primeira análise, é válido lembrar que a mídia é um importante veículo de informação e, consequentemente, de influência na formação de opinião. Assim, fica claro que o uso de notícias e discursos distorcidos podem levar à alienação e desinformação de toda sociedade. Portanto, quando o objetivo de uma reportagem não é ser coerente e responsável com o ocorrido, o noticiário se torna descompromissado e até mesmo sensacionalista.

Nesse sentido, é possível observar que a mídia brasileira tem buscado cada vez mais utilizar como espetáculo a violência para ter a atenção do público, e consequentemente ganhar maiores audiências, como foi o caso Eloá - mais longo sequestro em cárcere privado do estado de São Paulo, que foi televisionado ao vivo, com cenas de pura agonia. Outro caso muito marcante e muito falado pela mídia, foi o caso da menina Isabella Nardoni, jogada do sexto andar de um prédio, pelo pai e madrasta,  também em São Paulo. A mídia utiliza-se de momentos trágicos, tristes e revoltantes para fazer longas reportagens e comover o público. Tais reportagens podem conter informações errôneas e gerar inúmeras consequências - como a disseminação de inverdades e a formação de ideias distorcidas.

Infere-se, portanto, que medidas sejam tomadas para evitar a glorificação de tais reportagens. Para isso, é preciso que a formação  dos jornalistas seja baseada na ética e no compromisso, é preciso que as disciplinas de ética sejam obrigatórias nas faculdades. Além disso, o Governo Federal como instância máxima de administração executiva, deve atuar a favor da população, garantindo a veracidade dos fatos sem qualquer espetacularização, por meio da criação de leis e multas para àqueles que infringirem o código e utilizarem de meios exagerados para fazer notícia. Assim, é possível levar informação justa e coerente com a realidade.