Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 07/08/2020
No livro ‘‘Sociedade do Espetáculo, Guy Debord disserta a respeito das relações humanas, e como elas têm sido usadas como ferramentas de entretenimento pelas tecnologias atuais. Dessa forma, esse conceito vem se encaixando no contexto midiático brasileiro, uma vez que a violência se transformou em espetáculo, amplificada massivamente por programas policiais. Sendo assim, tal panorama maximiza a sensação de medo por parte da população e cria episódios sórdidos em rede nacional.
Em um primeiro plano, é fato que o sentimento de medo, causado pela violência, é diretamente proporcional à popularização de noticiários policiais. Sob esse viés, conforme pesquisa do portal G1, a percepção de medo e insegurança, por parte da sociedade brasileira, se acentuou em função da grande difusão de reportagens que destacam crimes. Nesse sentido, é inadmissível que a mídia, responsável por informar as pessoas, fomente a sensação de pânico e medo na população.
Alem disso, situações inacreditáveis e grotescas fazem parte desses noticiários alternativos. No ano de 2020, um programa policial noticiou ao vivo, e em rede nacional, a morte de uma filha para sua mãe. Nesse sentido, a busca por audiência tem feito jornalistas e comunicadores usarem métodos ardilosos e inescrupulosos para alcançarem suas metas, tendo em vista que receber a notícia de que um filho morreu, é uma das piores dores que um ser humano pode sentir.
Diante do exposto, é mister a formulação de mecanismos que freiem esse jornalismo perverso. Assim sendo, o Ministério das comunicações deve limitar o alcance de tais programas, por meio de restrições que estabeleçam um horário permitido para suas transmissões. Dessa maneira, tal órgão do Governo pode estipular que essas mídias sejam vinculadas até 7 da manhã, e, pela parte da noite, a partir das 23 horas. Nessa perspectiva, a grotesca espetacularização da violência terá uma platéia pequena.