Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 15/08/2020
Renato Russo cantou nos últimos versos da sua canção “Faroeste Caboclo” sobre a divulgação e cobertura do duelo entre João de Santo Cristo e Jeremias pela imprensa. Esse evento como consta na música acabou com a morte de três pessoas e tudo foi captado “pelos repórteres da televisão”. Infelizmente, a essa realidade não se limita a letra da música e sim, representa a conduta de uma vertente da imprensa brasileira que insiste em espetacularizar a violência. Sendo assim, o fascínio dos espectadores e a busca pela audiência levam a mídia explorar eventos brutais, e como resultado disso, há ainda mais violência. Essas questões são muito relevantes e a essa situação cabe uma análise. Antes de tudo, vale ressaltar a atração pelo grotesco dos indivíduos e o como isso interfere na conduta nos veículos de comunicação que fazem de tudo pela audiência. Com isso, como conta o livro do filósofo Guy Debord intitulado “Sociedade do Espetáculo” existe uma constante exposição mesmo que irresponsável, apenas em função de ganhar notoriedade, apesar de isso, muitas vezes, ter um alto valor. Assim, ações como essas se tornam cada vez mais corriqueiras e comuns na sociedade. Consequentemente, surgem nos principais meios de comunicação como a TV os chamados programas policiais por exemplo. Essas atrações disfarçadas de jornalismo ou entretenimento mostram cenas de violência explícita e além disso, não tomam cuidado nos seus modos de atuação, exibem fotos dos criminosos e nomes de suspeitos, tudo de modo imprudente, por números, que são representados pelos telespectadores e movidos pelo imediatismo de ser o primeiro a noticiar.
Diante disso, muitas cenas de falta de empatia e respeito podem acontecer por fim. Como ocorrido no “Cidade Alerta” da Rede Record de televisão e apresentado por Luis Bacci. Na ocasião, ao entrevistar a filha de uma vítima de assassinato, a atração foi muito criticada diante da abordagem da entrevista ao vivo, na ocasião a vítima era acusada de agiotagem apenas baseado na opinião dos vizinhos. Revelando assim, os graves efeitos da espetacularização da violência tão frequente atualmente.
Portanto, é inegável as sequelas que a mídia pode trazer para a sociedade, principalmente diante desse tipo de programa, e medidas devem ser tomadas para resolver esse impasse. Cabe ao Ministério da Justiça promover um plano que regularize e fiscalize como as informações devem ser exibidas pela imprensa, principalmente, em notícias de casos policiais. Isso poderá se dar por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados. Nele devem estar esclarecidos Órgãos reguladores dos formatos das notícias, não divulgação de nomes ou imagens de suspeitos. Tudo isso deve acontecer de forma bem planejada para não se tornar casos de censura. Assim, ocorrerá uma paralização das consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira.