Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 09/08/2020
Após ter sido descoberto como um dos membros da Inconfidência Mineira, Tiradentes foi enforcado em público, tendo sua morte espetacularizada. Séculos se passaram desde então, entretanto, a violência ainda é tida como entretenimento na mídia brasileira, o que se deve, em suma, à falta de leis que proíbam isso e à naturalização da agressividade.
Em primeira instância, é oportuno salientar que a legislação brasileira não incrimina tal impasse. Dessa forma, o jornalismo sensacionalista tem aval governamental para continuar transmitindo esse tipo de programação. De acordo com Aristóteles, o julgamento é a aplicação da justiça. Logo, é necessário que a punição adequada seja imposta a esses jornalistas para impedir que esse vitupério continue transformando momentos de dor e luto de uma família em diversão.
Outrossim, se o público não assistisse esse tipo de conteúdo, ele não teria audiência e, por conseguinte, não seria mais vantajoso produzí-lo. Contudo, esse tipo de programa está no ar há anos, o que mostra uma falta de sensibilidade do povo brasileiro em relação à violência. Segundo Ignácio de Loyola Brandão, em seu livro “Cadeiras Proibidas”, o homem se adapta às piores condições, conformando- se com a realidade. Assim, os brasileiros têm concebido a criminalidade como cotidiana, o que os leva a acompanhar tal programação.
Portanto, para evitar as consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira, cabe ao Ministério da Justica e Segurança Pública, por meio da autoridade que os seus membros contêm, criar um projeto de lei que puna as redes televisivas que transmitem matérias sensacionalistas em relação à violência, objetivando impedir que a privacidade das famílias das vítimas seja desrespeitada nesse momento de perda. Nessas circunstâncias, será possível deixar episódios como a morte de Tiradentes apenas nos livros de história e será possível viver numa sociedade que valida o sofrimento do outro.